“A câmera voadora”

“A câmera voadora”

Fotografar amplos cenários a partir de um ponto alto é um trabalho complicado. Fazer fotografias aéreas seja pendurado, erguido ou voando é sinônimo de trabalho árduo e semanas de estudo. Recentemente, tive algumas experiências como fotógrafo para fazer o que chamo de “uma viagem com a câmera voadora”.
Brincadeiras à parte, a fotografia começa muito antes do clique. Para fazer uma foto dessa, é preciso planejar toda a operação e pensar em cada detalhe – todos os erros têm de ser expurgados.
Há cerca de duas semanas, sobrevoei a Cidade Maravilhosa em busca de imagens que mostrassem a evolução da construção das nossas instalações Olímpicas. Tudo começou meses antes, desde o agendamento do helicóptero à organização da saída.
O estudo meteorológico é fundamental para realizar fotos aéreas, então tivemos que encontrar o dia e hora perfeitos para a situação. A segurança é outro ponto muito importante, pois nesse caso, eu teria que fotografar com a porta do helicóptero aberta. Sim, existe a sensação de perigo eminente e aquele frio na barriga, mas logo passa. A vontade de fotografar é mais forte do que isso – e lá vamos nós!
Passamos pelo Estádio Olímpico, pela Vila Olímpica e Paralímpica e pelo Parque Olímpico da Barra em poucos minutos. Os deslocamentos do “pássaro de ferro” são rápidos e abruptos, ainda mais nesse tipo de voo que o tempo é curto e precioso demais.
vista aerea estadio olimpico
aerea vila olimpica
aerea parque olimpico rio 2016
Já para realizar a foto que celebrou o marco de dois anos para os Jogos Olímpicos, tivemos que pensar em uma abordagem totalmente diferente. O projeto se fundamentou em um plano onde eu tinha que enquadrar, em uma mesma foto, cerca de 1000 funcionários – que, juntos, formavam o número dois –, além de mostrar a arquitetura do Sambódromo e a estátua do Cristo Redentor ao fundo. Tudo perfeitamente calculado, sem erros.
A primeira visita aconteceu um mês antes, quando levamos em consideração o cenário que tínhamos para trabalhar, o tamanho das arquibancadas, o posicionamento do sol para controlar as sombras, o ângulo da foto em união com a altura determinada e, claro, a lente ideal para fazer a foto. Aí é subir no “carvalhão” e fazer o clique.
“A câmera voadora”
Para fechar essa trilogia de muita aventura, o nome da foto já diz tudo: “Nos braços do Senhor”. É isso mesmo, não satisfeito de já estar no alto do Morro do Corcovado, eu cheguei aos ombros da estátua do Cristo Redentor, um dos principais símbolos do Rio de Janeiro. Precisei de uma lente especial, chamada “fisheye”, pois a minha ideia era fazer o Cristo “abraçar” toda a cidade.
“A câmera voadora” 
Bom, espero ter elucidado na compreensão dessas missões. São trabalhos em que temos que sempre levar em consideração o profissionalismo de todos os envolvidos, pois tudo deve ser feito em conjunto, afinal, “uma andorinha só não faz verão”. Sem todas as pessoas que me ajudaram em cada uma dessas missões, com certeza, essas fotos não sairiam. Não há espaço para brincadeiras e descumprimentos de regras, principalmente se estamos falando de segurança. Tudo é muito sério e tem que ser pensado, pensado e repensado.
 Até o próximo clique!

Imagina em 2015!

Imagina em 2015!

Através das minhas lentes, tive o prazer de testemunhar e registrar alguns dos momentos mais marcantes da organização dos Jogos neste ano – o primeiro evento-teste, o lançamento dos nossos queridos mascotes Vinícius e Tom, a abertura do programa de voluntários… Foram tantos projetos, que até perdi a conta. E já estou me preparando para um 2015 ainda mais eletrizante!
Por trás de cada imagem, quero deixar registrado que há várias mãos e vários cérebros. Um verdadeiro trabalho em equipe, pois só assim é possível construir um projeto dessa magnitude. Estamos falando do maior evento esportivo do planeta!
Deixo para vocês algumas imagens que marcaram a organização dos Jogos neste ano. Se 2014 foi assim, imagina 2015!
Feliz ano novo, galera!

Imagina em 2015!
A chegada triunfante de Vinicius e Tom

 
Imagina em 2015!
 Regata Internacional de Vela, primeiro evento-teste dos Jogos
Imagina em 2015!
O Rio de Janeiro em festa com a Copa do Mundo FIFA 2014
Imagina em 2015!
  Making of da foto de 2 anos para os Jogos Olímpicos no Sambódromo 
Imagina em 2015!
 Celebração do marco de 2 anos para os Jogos Paralímpicos
Imagina em 2015!
 Lançamento do programa de voluntários
Imagina em 2015!
 Cristo Redentor abençoa a cidade-sede dos Jogos
Imagina em 2015!
 O suor dos atletas
  
Imagina em 2015!
Rio Open trouxe os maiores tenistas do mundo à cidade
Imagina em 2015!
 Alunos do Transforma, programa de Educação Rio 2016, em festa!

Um time diverso e apaixonado

Um time diverso e apaixonado

Quando cheguei aqui, há pouco mais de três anos, para integrar a área de Recursos Humanos, éramos um time de quatro pessoas. Tínhamos muitas ideias e a certeza de grandes desafios pela frente! Criamos a nossa visão para construção da força de trabalho do Rio 2016: um time de profissionais apaixonados pela ideia de sediar os Jogos no Rio e totalmente alinhados aos valores Olímpicos e Paralímpicos. Uma equipe que refletisse a cara do Brasil –  valorizando a diferença seja por cultura, raça, cor, gênero, etnia, crença, idade, orientação sexual, religião, nacionalidade e deficiência – e que estivesse disposta a garantir Jogos para todos!
Um time diverso e apaixonado
Seremos, até o final deste ano, pouco mais de 900 funcionários. Em 2016, chegaremos a mais de 5.000, além dos voluntários e terceiros que trabalharão na organização do Jogos nas mais diferentes áreas. Algumas pessoas podem achar as nossas vagas um pouco curiosas, pois estamos sempre à procura de profissionais de praticamente todas as áreas de formação. Temos cargos como: analista de Look dos Jogos, coordenador de Chegadas e Partidas, especialista de Revezamento de Tocha e analista de Planejamento de Serviços de Limpeza e Descartes. Para conseguir preencher todas essas posições, contamos com uma página em nosso site oficial, onde todas as nossas vagas são publicadas.
Um time diverso e apaixonado
Já temos trabalhando no Comitê pessoas de todas as regiões do Brasil, além de estrangeiros de 15 diferentes nacionalidades. Criamos também programas específicos, como o Programa de Estágio Rio 2016 (que já está em sua 3ª edição) e o programa Incluir (focado na inclusão de pessoas com deficiência intelectual). Toda essa mistura harmônica forma um time de pessoas extremamente profissionais, capacitadas e comprometidas.
Um time diverso e apaixonado
O que no início dessa jornada parecia um sonho, hoje temos certeza de que é realidade. Nas duas edições da Pesquisa de Engajamento do Rio 2016 que realizamos, mais de 95% dos nossos funcionários confirmaram que têm orgulho de fazer parte do time e, para 91% deles, o Rio 2016 promove e valoriza a diversidade e a inclusão. Sem falar dos cerca de 90% que declaram que o trabalho no Comitê proporciona realização pessoal e profissional. Somos, comprovadamente, um time muito orgulhoso e feliz!
Um time diverso e apaixonado
Estamos no caminho. Achando as pessoas certas e fazendo com que cada uma delas sejam contagiadas pelos Movimentos Olímpico e Paralímpico! 

Uma única tecnologia

Uma única tecnologia

Muito se fala sobre formação de equipes nas publicações especializadas, mas montar um time de alta performance, que saiba aproveitar a diversidade, não é uma tarefa fácil. Por isso, a área de Tecnologia do Comitê realiza reuniões de engajamento periódicas com todo o time, incluindo parceiros e fornecedores. Esses encontros promovem a integração e o envolvimento de todos diante da apresentação dos resultados do trimestre e dos desafios para os meses seguintes.
A missão de prover soluções de tecnologia para a realização de Jogos com alto nível de excelência, segurança e qualidade desperta na equipe o espírito de colaboração e comprometimento necessários para fazer a diferença. Para colocar todo esse conceito em prática, decidimos fazer uma dinâmica de grupo em nosso segundo encontro, e o resultado foi ma-ra-vi-lho-so!
Pessoas de todas as nacionalidades e especialidades se uniram em prol do desafio de construir uma ponte de canudos. Isso mesmo. Uma atividade lúdica e simples que trouxe a todos os participantes um grande aprendizado sobre como atuar em equipe, respeitar a diversidade e desenvolver a visão sistêmica.
Uma única tecnologia
A construção da ponte de canudos se reproduz com frequência nas empresas. Muitas vezes nos deparamos com situações em que temos uma difícil tarefa a executar sem muitos artifícios e recursos para resolver. Nestes casos, a criatividade é muito importante, assim como o trabalho em equipe.
No final, unir os grupos e somar os recursos disponíveis para a construção de uma ponte forte e sólida se torna o caminho natural. E assim estamos construindo uma única tecnologia!
Uma única tecnologia

Apaixonados por tecnologia

Apaixonados por tecnologia

Desde que comecei a trabalhar no Rio 2016, algo em mim mudou. Não apenas profissionalmente, mas também pessoalmente. Este é um local único, mágico, em que todos podem compartilhar dos mesmos sonhos, e, com certeza, a ajuda é mútua – queremos um belo show para os atletas e para o mundo inteiro.
Tecnicamente, temos mais de 50 áreas dentro do Comitê e todas elas têm que se falar diariamente, funcionando como uma orquestra: cada um desempenhando o seu papel para que, no final das contas, o espetáculo seja fenomenal. Mas este trabalho em conjunto vai além das paredes do Comitê. Na área de Atendimento aos Parceiros, contamos com 23 parceiros que se disponibilizaram a investir neste sonho – e juntos, podemos colaborar com o progresso e a transformação do Rio de Janeiro e, sobretudo, do Brasil. 
E quem disse que tecnologia e paixão não caminham juntos?
Um exemplo deste envolvimento foi o II Panasonic Technology Seminar, promovido nos dias 26 e 27 de março na sede do Rio 2016. O evento teve como objetivo mostrar aos funcionários, mídia e outros parceiros o que há de mais moderno em relação à tecnologia audiovisual e trouxe à tona aquilo que a Panasonic faz de melhor em conjunto com os Jogos: a transformação, a informação, comunicação e o desenvolvimento tecnológico para o Brasil. Afinal, o que poderemos deixar de melhor para o nosso país?
Acompanho este trabalho desde outubro do ano passado. Só a montagem do evento envolveu cerca de 60 pessoas, entre engenheiros e funcionários da Panasonic Japão e Brasil, produtoras de eventos e outras empresas terceirizadas. Foram três dias de produção para a montagem de mais de 100 equipamentos. O auditório do Comitê se transformou em uma grande feira de tecnologia, e televisores, projetores, câmeras de segurança, caixas de som, enfim, tudo de mais moderno do momento estava lá.
Apaixonados por tecnologia
Além do auditório, a nossa sala de imprensa se transformou em um verdadeiro cinema 4K. Para quem não conhece, o 4K é uma tecnologia de alta resolução que produz imagens impressionantes (quatro vezes a nitidez de uma tela FullHD)! Na área ao ar livre, um telão de três metros também foi montado, impressionando a todos que passavam por ali.
Foi um trabalho de logística e segurança muito bem amarrado. Fiquei com a impressão de que estava assistindo ali a um pedacinho dos Jogos e daquilo que está por vir: a seriedade, o profissionalismo e, mais uma vez ela, a paixão pela tecnologia.              
Apaixonados por tecnologia
Confesso que senti um frio na barriga, mas passou assim que eu vi no rosto dos convidados a mesma sensação que eu tinha: orgulho. E daí você se toca que os Jogos não só transformam uma nação, mas tocam o coração daqueles que vivenciam diariamente isso. Haja coração para este timaço!  
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19 de agosto é o Dia Mundial da Fotografia!

Por trás das lentes dos Jogos

19 de agosto é o Dia Mundial da Fotografia! E por trás da fotografia está o fotógrafo. Mas quem é o fotógrafo? Qual é a sua função no mundo?
Prova de Hipismo CCE do Aquece Rio
(Via: Rio 2016 / Alex Ferro)
Fotógrafo é aquele personagem que tem a responsabilidade de documentar o seu tempo. É aquele ser que se instrumentaliza, juntando seu saber ao aparelho de gravar a luz para deixar para as futuras gerações o que ele recorta da realidade pela sua câmera-olho.
Evento-teste de remo na Lagoa
(Via: Rio 2016 / Alex Ferro) )
É exatamente  o que eu sinto nesse projeto Olímpico. Minha cidade natal, em minhas lentes-cérebro. Tudo mudando, tudo. Me obrigo a documentar por amor à profissão. Tudo isso é muito prazeroso.
Evento teste de Ciclismo de Estrada
(Via: Rio 2016 / Alex Ferro)
Os eventos-teste são a prova de toda essa mudança, esse movimento, essa luz divinal. O olhar das pessoas, dos atletas é extremamente significativo. É emoção pura. Essa emoção que eu fotografo e é essa emoção-movimento que quero oferecer a todos vocês.
Por trás das lentes dos Jogos
(Via: Rio 2016 / Alex Ferro)
É um aquece rio!!!
Eu aqueço junto.
Por trás das lentes dos Jogos
(Via: Rio 2016 / Alex Ferro)
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2016 – (um novo olhar sobre gênero)

Dia do homem (um novo olhar sobre gênero)

Quanto à reencarnação, já tem sido refutada algumas vezes. Não se baseia em prova alguma; ninguém tem recordação do que foi em vida anterior; por isto, também não sabe que culpas está expiando na vida presente. Além do quê, segundo a lei do Carma, quem vive pobre e doente, é pecador que está pagando por faltas graves cometidas em encarnação anterior, ao passo que toda pessoa rica e sadia é pessoa virtuosa que está recebendo o prêmio de suas virtudes…!

Quando me pediram para escrever no blog sobre o Dia do Homem, pensei em falar sobre cerveja, futebol, churrasco, etc (rs). Brincadeiras à parte, o ambiente Olímpico e Paralímpico nos permite uma discussão ampla sobre igualdade, diversidade e principalmente respeito, amizade e excelência, valores do Movimento Olímpico.
Cada vez mais, ser homem é demonstrar carinho com amigos e familiares, ser realmente participativo na família como levar os filhos na escola, estar ativamente na educação, fazer comida, lavar o lençol de xixi, e muitas outras coisas. Ser homem de verdade é ser sensível e amoroso sem perder a força do abraço, ser pai, irmão, tio, avô, amigo e ter sempre um ombro à disposição para oferecer. Ser homem de verdade é saber respeitar a diversidade e dar o exemplo para que possamos criar um mundo cada vez mais igual e ainda melhor para viver para as próximas gerações.
E é isso que devemos mostrar para a sociedade: derrubar a visão de que os homens são provedores da casa e os cavalheiros mas sim parceiros para todas as atividades, sejam familiares ou não. Ser respeitoso e também ser reconhecido como quando você ouve do filho que a comida que você cozinhou está uma delícia ao invés de sermos vistos como “grandes abridores de vidros de azeitona”. 
E parabéns pelo dia dos homens!

RIO 2016

Oito Curiosidades Sobre as Moedas do Jogos

Vocês já viram as novas séries de moedas do Rio 2016? Essa é a terceira leva da coleção que tem 36 modelos: 4 de ouro, 16 de prata e 16 de circulação (320 milhões de moedas circulando), todas com os temas de fauna, flora, a cultura e os monumentos brasileiros, além dos esportes Olímpicos e Paralímpicos. Aliás, essa é a primeira vez que o Brasil exporta moedas, sabia?
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(Via: Rio 2016)
Dá uma olhada em outras curiosidades:
1 – Túnel do tempo: A primeira edição da moeda olímpica é do século 776 A.C nos Jogos da Era Antiga.
2 – Na era moderna, as moedas comemorativas voltaram em 1951 em homenagem aos Jogos de Helsinki em 1952
Oito Curiosidades Sobre as Moedas do Jogos
(Via: IOC)
3 – Em Munique 1972, as moedas ajudaram a financiar os Jogos.
Oito Curiosidades Sobre as Moedas do Jogos
(Via: IOC)
4 – Pelo mundo: em 1976, em Montreal, as moedas passaram a ter distribuição mundial.
Oito Curiosidades Sobre as Moedas do Jogos
5 – Coloridas: as moedas de #Sidney2000 foram as primeiras a usar cor!
Oito Curiosidades Sobre as Moedas do Jogos
(Via: IOC)
6 – Berço Olímpico: pra mostrar toda a ligação da Grécia com os Jogos, as moedas de #Atenas2004 tinham o desenho do esporte na era antiga e moderna
Oito Curiosidades Sobre as Moedas do Jogos
(Via: IOC
7 – Em #Pequim2008 foi feita a moeda mais pesada e valiosa da história!
Oito Curiosidades Sobre as Moedas do Jogos Oito Curiosidades Sobre as Moedas do Jogos
8 – Relógio: #Londres2012 foi a primeira a lançar uma série de moedas que fazia contagem regressiva para os Jogos
Oito Curiosidades Sobre as Moedas do Jogos
(Via: IOC)

Em 2016, leia mais, pense mais, viva mais

A melhor coisa que podemos fazer neste momento difícil que o país atravessa não é pular sete ondinhas, vestir roupa branca ou acreditar em alguma superstição – até a presidente Dilma Rousseff parece ter fé num certo “olho grego”, vejam só. Nada disso resolve nada. O Brasil não precisa de mandinga nem macumba. Precisa de educação, em todos os sentidos da palavra. E nada substitui a leitura. Encerro o ano, portanto, com dicas de livros que, em leituras ou releituras, fizeram diferença para mim em 2015 – alguns deles foram tema de minha coluna na revista Época. Como toda lista, ela não é exaustiva, nem tem a pretensão de escolher os melhores de nada. Faço votos apenas de que, em 2016, todos possamos ler mais para ampliar nossos conhecimentos e, dentro das nossas limitações, contribuir para melhorar a realidade.

Enquanto houver política, Cícero deve ser lido

Ninguém melhor que Cícero, cuja eloquência deu origem à palavra “cicerone”, para nos guiar no atual momento do Brasil

A operação que atingiu na semana passada diversos políticos – entre eles o presidente da Câmara, Eduardo Cunha – leva o nome de um livro de mais de 2 mil anos, frequentemente citado em manchetes, cartazes ou mesmo tuítes, a cada nova conspiração, a cada novo protesto, a cada novo episódio de indignação contra líderes que usurpam o poder em proveito próprio. As Catilinárias reúnem os quatro discursos proferidos pelo então cônsul Marco Túlio Cícero, dois no Senado e dois diante do povo, depois de desbaratar o golpe tramado pelo senador Lúcio Sérgio Catilina contra a República no ano de 63 a.C. Considerado o maior mestre da retórica, cujo estilo inspirou todos os grandes oradores, Cícero reverbera até hoje em expressões consagradas, como “quousque tandem?” (até quando?) ou“o tempora, o mores” (ó tempos, ó costumes), usadas até mesmo por quem jamais passou perto de uma aula de latim. Foi na Roma de Cícero que se originaram conceitos caros à civilização atual, como cidadania ou liberdade. É de lá que vem nosso vocabulário político: o Senado, os senadores, os cônsules – na época, dois líderes, eleitos pelos cidadãos –, os ditadores e os poderes imperiais. Ninguém melhor que Cícero, cuja eloquência deu origem à palavra “cicerone”, para nos guiar no atual momento do Brasil.

A inspiração para a Operação Catilinárias foi decerto Cunha, que testa a paciência de todos com suas manobras protelatórias e seu jogo cediço para tentar se livrar das acusações de quebra de decoro. “Até quando abusarás, Catilina, da nossa paciência?” é a frase que abre a primeira Catilinária. Troque Catilina por Cunha, e ela fará sentido. Mas é preciso tomar cuidado com o paralelo. Catilina foi um personagem sibilino e conspirador como Cunha. Mas as semelhanças param aí. Na época das Catilinárias, Roma estava perto do apogeu militar, mas vivia um momento econômico dificílimo. Catilina era um nobre empobrecido. Sua família tinha raízes antigas na aristocracia, mas ele estava afundado em dívidas. Perdera duas eleições para Cícero, e já naquele tempo isso custava caro. Sem condição de pagar o que devia, partiu para o populismo. Para agradar aos pobres, ressuscitou a ideia da Reforma Agrária. Para atrair outros nobres endividados, defendeu no Senado o perdão de todas as dívidas, na época chamado de “tabula nova” – hoje, isso faria corar até o mais heterodoxo defensor da “nova matriz econômica”. Os nobres senadores não gostaram nada dessa conversa. Catilina reuniu então um grupo de generais e se aliou a gauleses insatisfeitos. O plano era espalhar o terror por Roma, com incêndios e assassinatos, depois assumir o poder.
Graças a Fúlvia, amante de um aliado de Catilina, os planos chegaram a Cícero. Diferentemente de Catilina, ele era, na expressão de então, um “homem novo”, sem raízes na nobreza antiga. Devia seu sucesso ao talento como advogado, orador e político. Foi hábil o bastante para aliciar os gauleses e armar uma cilada para Catilina. Reuniu como provas cartas firmadas com o selo dos conspiradores. Em 7 de novembro, escapou de ser assassinado e convocou uma reunião do Senado para o dia seguinte. Foi quando proferiu o primeiro discurso e desmascarou Catilina, municiado pelas provas. Presente, Catilina conseguiu fugir para reunir-se a seus exércitos (ele morreria um ano depois em batalha). Nos dias seguintes, Cícero fez dois outros discursos à população, como salvador da pátria. Na última Catilinária, em 5 de dezembro, defendeu a pena de morte para os conspiradores no Senado. Foi contestado por um jovem senador de 37 anos, o futuro ditador Júlio César, que preferia a prisão. Pela primeira vez na história, alguém se manifestava contra a pena de morte. Não adiantou. Com base em um decreto que lhe conferia poderes especiais, Cícero mandou executar os conspiradores sem nem ao menos julgá-los.
A agilidade preservou a República, mas a falta de julgamento lançou Cícero em desgraça. Ele foi exilado, depois reabilitado, e terminou seus dias tentando resgatar sua reputação – devemos a isso o texto das Catilinárias. A própria República não resistiria nem duas décadas a novas tensões políticas e econômicas. O confronto com Catilina é um dos episódios mais documentados da História Antiga, mas a versão que ficou consagrada é a de Cícero. “Isso não significa que seja necessariamente verdadeira, ou que seja a única forma de enxergar os fatos”, escreve a historiadora Mary Beard. As críticas a Cícero já começaram em seu tempo. “É legítimo eliminar ‘terroristas’ fora do devido processo legal? Quanto devem os direitos civis ser sacrificados em nome dos interesses da segurança interna?”, pergunta Beard. Tantos são os reflexos da disputa que, diz Beard, “a história de Roma, como a conhecemos, começou aí”. E, pelo visto, não acabou.

Agressão

Um impulso ou uma resposta adquirida?

As emoções causam não apenas reações gerais, mas também tendência especifica de ação. Provavelmente iremos rir quando estivermos alegres, retrair-nos quando assustados, ficar agressivos quando zangados, e assim por diante. 

Em termos sociais, numa época em que as armas nucleares estão amplamente disponíveis, um único ato agressivo pode significar uma tragédia. Em termos individuais, muitas pessoas experimentam pensamentos e impulsos agressivos com frequência, e o modo como lidam com esses pensamentos terá efeitos importantes sobre sua saúde e suas relações interpessoais. 

Por agressão, nos referimos ao comportamento que tem a intenção de ferir outra pessoa física ou verbalmente, ou destruir propriedade. O conceito-chave nessa definição é a intenção. Por exemplo: se uma pessoa acidentalmente pisa em seu pé num elevador lotado e imediatamente de desculpa, você não interpretaria o comportamento como agressivo; mas se alguém se aproxima de você enquanto você está sentando em sua mesa de trabalho e pisa no seu pé, você não hesitaria em rotular esse ato como agressivo.

A teoria psicanalítica de Freud vê a agressividade como impulso, ao passo que a teoria da aprendizagem social a vê como uma resposta adquirida. 

Segundo a teoria psicanalítica de Freud, muitas de nossas ações são determinadas pelos instintos, especialmente pelo instinto sexual. Posteriormente, os teóricos psicanalíticos ampliaram essa hipótese de frustação-agressão, propondo que sempre que o esforço de uma pessoa para atingir algum objetivo é bloqueado, um impulso agressivo é induzido, o qual motiva um comportamento que visa destruir o obstáculo (pessoa ou objeto) causador da frustração (Dollard ET AL.,1939).

A teoria da aprendizagem social se preocupa com a interação social humana. Ela se concentra nos padrões de comportamento que as pessoas desenvolvem em respostas a eventos em seu ambiente. 

A teoria da aprendizagem social enfatiza o papel dos modelos na transmissão tanto de comportamentos específicos quantos de respostas emocionais. Ele focaliza questões como quais tipos de modelos são mais eficazes e que fatores determinam se o comportamento observado irá realmente ser efetivado (Bandura, 1986;1973). 

A teoria propõe que a agressividade é semelhante a qualquer outra reposta adquirida. A agressividade pode ser aprendida através de observação ou imitação, e quanto mais frequentemente ela for reforçada, maior sua probabilidade de ocorrer. Em resumo, a teoria da aprendizagem social presume que a agressão é apenas uma entre diversas reações a experiência aversiva de frustração e também é uma resposta sem nenhuma característica pulsional, e consequentemente é influenciada pelas consequências previstas do comportamento.
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