Quer jogar Diablo 3 single-player? Azar o seu!

Chegará o dia em que teremos carros voadores, comida saudável com gosto bom e uma internet 100% confiável. A impressão que eu tenho é que Diablo 3 foi feito pensando nesse dia. Em especial, na Internet 100% confiável, sempre estável, que nunca cai. Talvez já seja assim na Coreia e na Escandinávia, já que eles sempre são adiantados nessas coisas, mas no Brasil , e pelo que eu estou vendo, no resto da América, ainda estamos longe disso.
Pra quem não tem nenhuma noção do que eu estou falando, provavelmente por ter passado os últimos dias ajudando as criancinhas com fome na Etiópia (parabéns pela iniciativa), aí vai uma breve explicação:  Diablo 3 saiu essa semana e nas poucas oportunidades que eu tive pra jogar, não pude fazer isso direito porque ou o jogo estava com um lag que destruía completamente a experiência ou porque o servidor estava offline. Detalhe importante: eu estava jogando sozinho.

Nem com macumba o jogo funcionava nas primeiras horas, relatam alguns
A desculpa mais comum até agora é “Diablo 3 não é um jogo single-player, isso é normal em qualquer jogo multiplayer”. De fato, o jogo não é estruturado como um jogo single-player. Tudo depende do servidor. Tudo é feito pro jogo não ter que ser todo recalculado quando alguém resolver entrar na sua campanha e matar uns demônios em grupo. Uma ideia muito legal, mas mal implementada. Diablo 1 e 2 eram ótimos de se jogar com a galera, mas podiam muito bem ser apreciados sozinho e foi assim que muita gente jogou. A Blizzard está basicamente mandando um grande FODA-SE pra todo mundo que não faz questão de jogar Diablo online.
OK então, eu preciso estar online sempre e com uma conexão boa pra jogar jogo. Mas e quando a Blizzard não está online e com uma conexão boa? Muito legal eu parar todos os meus downloads, brigar com a minha irmã pra ela desligar o skype com o namorado que está na Etiópia ajudando as criancinhas e ganhar um Erro 37 quando tento logar no jogo. “Ah, mas isso acontece com todo MMO, toda vez que sai uma expansão de World of Warcraft cai tudo, mas depois melhora”, diz o fanboy com seu paladino level 80.
A Blizzard foi uma das primeiras empresas a se dedicar a jogos online e cuida do maior MMORPG existente. É de se esperar que a essa altura eles já deveriam estar acostumados com esse tipo de lançamento e suas consequências. Por mais online que Diablo 3 seja, não exige tanto dos servidores quanto um MMO, ou pelo menos não deveria. Os servidores já tinham sido testados no Beta e imagino eu que a Blizzard tenha uma boa noção de quantas pessoas tenham comprado o jogo na pré-venda, o que dá uma boa margem pra se preparar pra encrenca.
Incompetência. Não existe outra palavra pra isso. Se fosse a EA, a Capcom ou outra empresa que todo mundo adora meter o pau, bom, estaria todo mundo metendo o pau. E todo mundo realmente meteu o pau na Ubisoft quando eles resolveram usar algo semelhante há uns anos atrás. Mas a Blizzard, tadinha, fez Rock’n’Roll Racing e Warcraft, então tá tudo bem, né?

Mais tempo pra jogar Max Payne… se o jogo não tivesse sido adiado no Brasil, isso é
É uma pena, porque o jogo é bom. Nos poucos momentos em que eu pude jogar, foi muito divertido. Diablo 3 é um experimento social que deve gerar alguns resultados interessantes e mudar a maneira como as pessoas pensam em um jogo single-player. Os servidores devem normalizar nos próximos dias (espero), a Blizzard já pediu desculpas por todos os problemas, mas isso não recupera o tempo que todo mundo perdeu tentando jogar e eu realmente espero que não se esqueçam deste momento quando o próximo “experimento social” do tipo for anunciado.
Até lá, podem continuar combatendo a fome na Etiópia

Viver agora

Resultado de imagem para tudo bem
Este é o teu momento de viver intensamente a realidade da vida.
Desnecessário recordar que, agora, o teu momento presente é relevante para a aquisição dos bens inestimáveis para o Espírito eterno.
Há muito desperdício de tempo, que se aplica nas considerações do passado como em torno das ansiedades do futuro.
A tomada de consciência é um trabalho de atualidade, de valorização das horas, de realização constante.
A vida é para ser vivida agora.
Postergar experiências significa prejuízo em crescimento na economia da vida.
Antecipar ocorrências representa precipitação de fatos que, talvez, não sucederão, conforme agora tomam curso.
As emoções canalizadas em relação ao passado ou ao futuro dissipam ou gastam a energia vital, que deve ser utilizada na ação do momento.
*   *   *
Se vives recordando o passado ou ansiando pelo futuro perdes a contribuição do presente, praticamente nada reservando para hoje.
O momento atual é a vida, que resulta das atividades pretéritas e elabora o programa do porvir.
Encoraja-te a viver hoje, sentindo cada instante e valorizando-o mediante a consciência das bênçãos que se encontram à tua disposição.
A vida é um sublime dom de Deus.
Naturalmente, quando recebes um presente de alguém sentes o desejo irrefreável de agradecer, de louvar, de bendizer.
Desse modo, agradece a Deus o sublime legado, que é a tua vida, por Ele concedido.
*   *   *
Deus, nosso Pai de infinita justiça e bondade:
Como é bom agradecer pela vida, por esta oportunidade sem igual de fazer parte de Teu Universo resplandecente.
Brilha meu coração quando, ao observar o cântico da Tua natureza, percebe que tudo é feliz e cumpre seu papel resignadamente.
Brilha meu coração quando compreendo Tuas leis perfeitas a reger o cosmo; das leis que equilibram os corpos no espaço às leis morais que harmonizam as relações humanas.
Brilha meu coração ao saber que todos rumamos para a felicidade e que, embora acampemos agora em campos de aflição e dúvida, o passar das eras está construindo em nós as bases de dias felizes.
Brilha meu coração, hoje, agora, enquanto me dou conta de Ti, de mim, de meu próximo e percebo que estamos todos entrelaçados, e que a felicidade depende de como cuido de Ti, de mim e de meu próximo.
Brilha meu coração que é Teu, Pai amado. E a luz que ele emite é a gratidão da criatura para com o Seu Criador.
É um despertar decisivo para a verdadeira vida, agora, aqui, na imensidão de minha alma encantada ao descobrir-Te, gradual e definitivamente.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 17, 
do livro 
Alegria de viver, pelo Espírito Joanna de Ângelis,
psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.
Em 15.1.2016.

Caminhos

Resultado de imagem para tudo bem
São muitos os caminhos… Caminhos tranquilos, plenos de flores, transitados sem problemas nem esforço.
Caminhos tortuosos, difíceis, cheios de pedregulhos, de aspereza e dificuldades.
Caminhos fáceis que conduzem a abismos profundos, como gargantas abertas no verde da selva.
Caminhos desconhecidos, que conduzem a alturas imensuráveis, margeando a montanha.
Caminhos de lama, após a chuva torrencial. Caminhos áridos, na terra castigada pelo sol ardente.
Caminhos ásperos, cheios de ervas daninhas e espinheiros. Caminhos curtos. Caminhos longos.
Em verdade, todos os caminhos têm algo em comum: o de permitirem ao viajante chegar a algum lugar.
Assim, o mais importante não é escolhê-lo por sua beleza, facilidade ou comprimento. O mais importante é saber onde se pretende chegar.
Na Terra, todos andamos por várias vias: as da comodidade, dos prazeres, das facilidades. São os caminhos curtos, fáceis e que conduzem o ser às bocas escancaradas dos abismos das paixões.
Existem aqueles que, de forma egoísta, preferem caminhar solitários e se perturbam após exaustiva marcha.
Os maus seguem trilhas suspeitas e se perdem em sombras.
Os que se afeiçoam ao bem seguem os caminhos da esperança e se iluminam. São vias de dificuldades, de tormentos e de dissabores. Caminhos espinhosos e difíceis, mas que dão acesso a portos de paz.
São eles que permitem ao homem alcançar as paragens superiores do bem que nunca morre e do amor que sempre dura.
Os servidores da caridade escolhem roteiros de ação constante pelo bem ao próximo e alcançam lugares de ventura.
A opção é individual e cada um a realiza de acordo com os sonhos e ideais acalentados na alma e os valores que carregue em sua intimidade.
Alcançar a felicidade breve e fugaz ou conquistar a alegria perene é decisão pessoal.
Na diversidade de tantos rumos, os homens se perturbam ou se tornam livres.
Contudo, não há ninguém que siga pelos caminhos de Jesus e que não deixe de alcançar o fim que almeja: a felicidade integral.
Hoje como ontem, Jesus, o Mestre Incomparável, prossegue convidando o Seu rebanho, desejando atrair todos para Si.
O Seu convite perene é para que nos acerquemos d’ Ele usufruindo de paz, alcançando a esperança e trabalhando sempre.
*   *   *
Ante a falta de tempo de que tanto reclamamos, face aos inúmeros quefazeres do dia a dia, é necessário parar para revisar e repensar Jesus.
Retornar aos seus caminhos e percorrê-los com ternura é tarefa inadiável ao ser humano.
Assim procedendo, com certeza haveremos de experimentar o calor da Sua presença e a presença do Seu amor.
Ninguém há que possa prescindir de Jesus, escolher outros caminhos e ser feliz.
Redação do Momento Espírita, com base no Prefácio, do livroPelos caminhos de Jesus, pelo Espírito Amélia Rodrigues,
psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.
Em 14.1.2016.

Aparências

Resultado de imagem para tudo bem
O ser humano costuma se preocupar com a imagem que transmite ao mundo.
Há regras de comportamento e de vestimentas para as mais variadas ocasiões.
Conforme o local, as exigências mudam.
Há ambientes formais e informais, mais ou menos sofisticados.
Para ter uma boa aparência, as pessoas cuidam de seu vestuário e de seu corpo.
Uma imagem desleixada em geral dificulta o sucesso profissional.
Também a vida social oscila conforme o apuro da apresentação pessoal.
É bom e necessário que haja preocupação em ser asseado, agradável no trato e em se vestir conforme a ocasião.
Esse acatamento das regras sociais constitui sinal de respeito às pessoas com quem se convive.
Contudo, convém não cuidar apenas do que aparece.
Tudo o que é material é sempre efêmero.
Boas roupas, corpo bem cuidado e maneiras sofisticadas podem ser apenas uma capa para esconder o que realmente se é.
A polidez é importante, mas representa apenas uma aparência, que pode ser enganosa, ou a porta de entrada das virtudes.
É possível adotar expressões que traduzem atenção e respeito, sem ter o menor interesse no bem-estar do próximo.
A título de princípio, vale a disciplina do exterior.
Entretanto, é preciso que o coração também seja convocado a participar.
Não dá para cuidar apenas do exterior e achar que basta.
Cedo ou tarde, as aparências cessarão.
Todo homem é um Espírito momentaneamente vestindo um corpo de carne.
Por lindo que seja esse corpo, seu destino é a sepultura.
A essência da criatura reside em sua realidade íntima.
Cada qual transcende com o que é, não com o que aparenta.
Há pessoas que se ocupam de aparentar pureza.
Mas cultivam pensamentos e sentimentos desonestos e lascivos.
Para os que estão à sua volta parecem exemplos de dignidade.
Mas os Espíritos, que podem perceber seus pensamentos, os veem de modo bem diverso.
Conforme a realidade íntima, assim é a constituição espiritual.
Alguém de aparência e modos irretocáveis pode ter estrutura espiritual apodrecida.
Talvez passe uma imagem respeitável à sociedade, que lhe ignora o íntimo.
Contudo, é visto pelos Espíritos como um decaído.
Exala fluidos deletérios, literalmente cheira mal, para quem consegue perceber.
Será como um lascivo decadente que ressurgirá após a morte do corpo.
Convém pensar nisso, para evitar surpresas desagradáveis.
Mais cedo ou mais tarde, sua realidade íntima aparecerá, sem nenhum disfarce.
 Redação do Momento Espírita.
Em 13.1.2016.

Religião e Deus

Resultado de imagem para tudo bem

Quantos são os caminhos para encontrar Deus? De quantas estradas é feito o nosso trilhar para entender as coisas de Deus? Quais são os caminhares que nos levam a Deus?
Não houve na História da Humanidade cultura alguma que não tivesse nos seus valores o entendimento de Deus.
As formas de interpretação da Divindade variaram às centenas, porém, nenhum povo houve que negasse a existência de uma força maior a comandar os desígnios do Universo.
Assim, crer na existência de Deus transcende o aspecto cultural e se insere na essência do sentimento humano de que existe um Criador a gerar a vida, do macro ao microcosmo.
E, ao longo da História, vários foram os ensaios para se explicar e entender Deus.
Seja o Deus castigo e vingança das civilizações antigas, ou o Deus concebido em forma humana, como nas mitologias greco-romanas, ou ainda o Deus natureza dos celtas, sempre foram tentativas do homem de entender Deus.
E hoje, como entendemos Deus?
Provavelmente as suas respostas e explicações acerca da Divindade estão pautadas em uma explicação doutrinária ou religiosa.
E é exatamente para isso que as religiões se estruturam: para nos ajudar a redescobrir Deus, Suas leis, Seus desígnios e para Ele nos voltarmos.
Desta forma, podemos entender a religião não como um fim e sim um meio. O meio que encontramos para entender Deus e tê-lO na nossa vida diária.
E, sendo a religião o meio que usamos para reencontrar Deus, é natural que cada um de nós tenha necessidade de um caminho que seja coerente e próprio em relação ao seu amadurecimento emocional, seus valores e conceitos.
Por isso, cada um de nós escolhe essa ou aquela escola religiosa, esse ou aquele caminho para chegar a Deus.
Porém, para Deus, todos os caminhos que levem a Ele são dignos de respeito. Toda doutrina, toda religião que nos torne melhores, é válida.
Além disso, devemos lembrar que a religião por si só não basta em nossa vida. Como também, para sermos pessoas de bem, a religião não é imprescindível.
Há inúmeras pessoas que, sem professarem nenhuma religião, têm uma vida de respeito ao próximo, de conduta ilibada, de retidão de caráter inquestionável.
E outras, apegadas a essa ou aquela escola religiosa, se mostram só preocupadas com a externalidade da religião, cuidando muito pouco do seu mundo íntimo.
Se a religião que escolhemos nos faz pessoas melhores, nos ajuda a entender as leis de Deus, a nos entender e a entender ao próximo, essa é a melhor religião para nós.
Porém, se ainda nos vinculamos a uma religião, preocupados com o que os outros estão vendo ou pensando, somente para satisfazer vaidades ou expectativas nossas ou de outros, há que se repensar como estamos construindo nossa relação com Deus.
O mais significativo para nós deve ser perceber que a religião que adotamos é o meio que encontramos de construir a religiosidade em nós, do entendimento de Deus, respeitando o próximo nos caminhos que ele escolher para compreender Deus e trazê-lO para dentro de si.
Redação do Momento Espírita.
Em 12.1.2016.

A cobra vai fumar.” Este foi o slogan que incentivou os pracinhas brasileiros na Segunda Guerra Mundial

O Brasil na Segunda Guerra Mundial




Com o fim da Segunda Guerra Mundial (lutada entre 1939 e 1945), duas grandes nações emergiram como as grandes vencedoras: União Soviética (extinta em 1990) e Estados Unidos. O mundo ficou polarizado entre o capitalismo e o socialismo; poucos países permaneceram não alinhados.

A Segunda Guerra Mundial foi um conflito armado que se estendeu de 1939 a 1945, colocando em confronto Alemanha, Itália e Japão de um lado e Inglaterra, França e EUA, de outro. A guerra se espalhou pela África, Ásia e Oceania. O Brasil participou ativamente na Segunda Guerra de 1942 a 1944. A Segunda Guerra é considerada o maior confronto bélico da história.

Na época, o Brasil vivia sob o Estado Novo (1937-1945), ditadura de Getúlio Vargas semelhante em vários pontos aos regimes fascistas instalados em várias nações europeias, o que preocupava principalmente os EUA. Caso o país se aliasse a Adolf Hitler e Benito Mussolini (respectivamente os ditadores da Alemanha e Itália), poderia ceder pontos estratégicos de apoio, para facilitar o trabalho do Eixo na África, reduzindo a resistência de um dos fronts de batalha.

Em 1940, a preocupação americana rendeu um valioso empréstimo para o Brasil: 20 milhões de dólares, valor à época suficiente para a construção da Usina de Volta Redonda (RJ). No final do ano seguinte, os EUA, que já apoiavam a Inglaterra, entraram definitivamente no conflito, em resposta ao ataque japonês à base naval de Pearl Harbor, no Havaí.

O governo americano pressionou Getúlio Vargas, para que o Brasil participasse do confronto. Coincidência ou não, cinco navios da marinha mercante brasileira foram atacados por submarinos alemães (ao menos, esta é a versão oficial) e, em agosto de 1942, o Brasil declarou guerra ao Eixo e entrou no confronto.

Politicamente, era interessante a Getúlio Vargas a aproximação com os militares, para sustentar-se no poder. No ano seguinte, foi criada a Força Expedicionária Brasileira (FEB), destacamento militar que lutou na Itália, com o apoio da Força Aérea Brasileira (FAB). A participação brasileira na Segunda Guerra Mundial inicialmente limitou-se a apoio logístico: Natal, capital do Rio Grande do Norte, foi utilizada como local de abastecimento para as aeronaves e base antissubmarinos.

Em 1944, foram enviados 25 mil soldados para as batalhas, que lutaram ao lado de tropas americanas. Apesar de não estar acostumada a lutar em terrenos montanhosos e sofrer muito com o frio, a FEB obteve boas vitórias em Monte Castelo, Montese, Turim e outras cidades italianas ocupadas pelos alemães. 14 mil combatentes nazistas se renderam nestes embates.

O país perdeu 943 jovens na Segunda Guerra Mundial. Os soldados brasileiros ficaram conhecidos como “pracinhas”. Com o fim da guerra, a FEB foi desfeita em 1946.

O fim da Segunda Guerra Mundial também fez soprar ventos democráticos no país. A ditadura de Getúlio Vargas, assim como a guerra, chegou ao fim em 1945.

Iniciado com a invasão da Polônia, o conflito envolveu grande partes dos países, inclusive o Brasil.

Causas da Segunda Guerra Mundial




A Segunda Guerra Mundial foi um conflito iniciado na Europa em 1939, com a invasão da Polônia pela Alemanha. O então líder alemão, Adolf Hitler, alegava necessidade de “espaço vital” para invadir o país vizinho. França e Inglaterra se posicionaram contrárias à invasão e a guerra estourou. Um ano antes, no entanto, a Alemanha havia anexado a Áustria e a comunidade internacional não reagiu.

Mas a geração do “ovo da serpente” (filme de Ingmar Bergman sobre as condições sociais e econômicas da Europa nos anos 1930) aconteceu antes. Alemanha, Itália, Portugal e Espanha, além de países balcânicos, passaram por sérias crises econômicas, comprometendo emprego e renda. Esta situação miserável propiciou a eclosão de regimes autoritários, como o nazismo alemão, com Hitler, e o fascismo italiano, com Benito Mussolini. Na Espanha, o general Francisco Franco, com a ajuda desses dois amigos, derrubou o governo e instalou-se no poder em 1938, só saindo com a sua morte, em 1975.

Esses governos fomentavam no povo um forte sentimento nacionalista. A negação aos direitos das minorias tornou-se regra: judeus, ciganos e homossexuais passaram a ser perseguidos sistematicamente, o que culminou na adoção da “solução final”, com o extermínio de milhões de vidas.

Fenômeno semelhante ocorreu no Japão, que também se rendeu à ultradireita. O governo japonês tinha planos de anexar a China ao seu império. O Japão invadiu a China em 1937, provocando protestos do governo dos EUA, que tinha fortes interesses comerciais da região. Os EUA determinaram o embargo das exportações para o Japão, o que deixou as relações dos dois países ainda mais tensas, até o ataque japonês à base aérea de Pearl Harbour (Havaí), em 1941, que foi a senha para os norte-americanos declararem guerra.

Alguns historiadores consideram que o Tratado de Versalhes, que pôs fim à Primeira Guerra Mundial, é também causa da Segunda, pelas condições humilhantes impostas à Alemanha, derrotada no conflito, mas é mais exato dizer que este tratado amplificou as causas, mas não as criou. Os três países do Eixo – Alemanha, Itália e Japão – tinham objetivos expansionistas evidentes. Hitler afirmava que era preciso dominar o continente europeu, enquanto os japoneses não escondiam suas pretensões imperialistas. O Memorando Tanaka, por exemplo, afirma que a China era apenas o primeiro passo para o domínio da Ásia e, em seguida, os canhões japoneses tinham como alvo os EUA.

Por outro lado, EUA e União Soviética perceberam a janela de oportunidade aberta para conquistar a hegemonia do mundo. Numa guerra, quem conta a história são os vencedores. É impossível avaliar os efeitos de uma vitória do Eixo no conflito, que se arrastou até 1945.

Não chegou a ser uma guerra. A Guerra Fria foi um confronto político e militar entre as maiores potências mundiais.

O que foi a Guerra Fria?

Com o fim da Guerra, o planeta passou a testemunhar a maior tensão política da história. Nos dois lados, houve um crescimento exponencial do desenvolvimento de armamentos, em especial os atômicos e nucleares. Em 1945, os EUA já tinham utilizados bombas com esta tecnologia para encerrar o conflito com o Japão. Duas cidades foram atingidas: Hiroshima e Nagasaki.

Na primeira, quase 170 mil pessoas morreram, em sua maioria civis, com o impacto da explosão. Em Nagasaki, as mortes por queimaduras podem ter atingido 80 mil vitimas. Nos meses seguintes, houve muitas outras mortes e hoje, 70 anos depois do lançamento das bombas, ainda existem pessoas prejudicadas pelas detonações.

Isto ajuda a explicar a “importância” da energia nuclear para fins bélicos. Atualmente, depois de muitos tratados internacionais – o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, por exemplo, impediu que novos países desenvolvessem a tecnologia para fins militares –, EUA, Rússia, França, Inglaterra, África do Sul, Bielorrússia, Ucrânia, Israel, Índia, Paquistão, China e Coreia do Norte mantêm ogivas nucleares para bombardear os inimigos.

O número pode ser muito maior, já que muitos países, inclusive o Brasil, que instalou três usinas, utilizam energia nuclear para produção de eletricidade. Ao menos, é o motivo oficial. A AIEA, agência da ONU que tenta coordenar a “corrida pelos átomos”, tem atuação limitada, já que não pode interferir na autodeterminação das nações.
Disputa política ou ideológica?

A Guerra Fria foi um confronto tecnológico, militar, econômico e social, além das características ideológicas: a União Soviética disseminava o ideário comunista, baseado no marxismo-leninismo, com o qual conquistou vários países.

Além da Cortina de Ferro (termo cunhado pelo primeiro ministro inglês Winston Churchill), formada por Polônia, Alemanha Oriental (o país foi dividido pelos vencedores depois da Segunda Guerra), Tchecoslováquia (união de dois países: República Tcheca e Eslováquia), Áustria, Hungria, Iugoslávia e Romênia e as repúblicas soviéticas, os russos conseguiram exportar o comunismo para Cuba, Albânia, China e Indochina (Laos, Vietnã e Camboja). China e Iugoslávia desenvolveram concepções diferentes a partir das ideias de Karl Marx.

A URSS – União das Repúblicas Soviéticas – de configurou como um grande império. Antes da formação da Cortina de Ferro, o país já agregava o Azerbaijão, Armênia, Bielorrússia, Cazaquistão, Estônia, Letônia, Lituânia, Moldávia e Ucrânia, além de territórios semi-independentes, como a República Fino-Carélia, na fronteira com a Finlândia.

No período pré-guerra, a Escandinávia e a Inglaterra flertavam com as ideias fascistas dos ditadores Francisco Franco (Espanha), Benito Mussolini (Itália) e Adolf Hitler (Alemanha). O rei inglês Eduardo VIII, tio de Elizabeth II (a atual soberana) teve recentemente divulgadas fotos com o chanceler alemão, inclusive fazendo a reverência nazista.

Do outro lado, os EUA valorizavam a sua esfera de influência. Os governantes do país chegaram a apoiar diversas ditaduras, inclusive no Brasil e em outros países da América Latina. Os americanos ajudaram a combater as guerrilhas no subcontinente não apenas aqui, mas também na Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai.

Os EUA foram o primeiro país a reconhecer o governo chileno do general Augusto Pinochet, que depôs o presidente eleito Salvador Allende e permaneceu no poder entre 1973 e 1990. O ditador foi acusado por diversas violações aos direitos humanos e chegou a ser preso em Londres, por crimes de corrupção.

Na Ásia, a “ideologia capitalista” dos americanos foi responsável por manter o ditador Saddam Hussein no poder durante um longo período: de 1979 a 2003. Antes disto , desde 1968, foi vice-presidente do general Ahmed Hassan al-Bakr, que, enfermo, nunca chegou a governar de fato.

O país também foi responsável pelo declínio dos xás (imperadores ou monarcas) do Irã, mas caiu em um beco sem saída: Reza Pahlevi foi deposto em 1979 e a antiga Pérsia instituiu uma república islâmica, baseada nas regras ditadas por Maomé.

Os EUA também armaram o Paquistão e o Afeganistão, envolveram-se em guerras da Coreia e na Indochina. A Guerra do Vietnã se tornou um símbolo da contracultura americana: jovens se recusaram a aceitar o alistamento militar, o movimento do “paz e amor” se espalhou pelo mundo ocidental
Cronologia

O termo “Guerra Fria” é derivado do fato de EUA e URSS nunca terem se confrontado de fato, apesar de os dois países terem participado indiretamente de muitos conflitos bélicos no mundo. Um dos principais símbolos da disputa, que inicialmente tinha como objetivo a produção de um arsenal de proporções absurdas, foi a construção do Muro de Berlim.

Berlim, antes e atualmente capital da Alemanha, foi dividida (em 1945) em quatro setores no pós-guerra: inglês, francês, russo e americano. Em pouco tempo, porém, surgiu o confronto entre capitalistas e socialistas. A sede do governo foi transferida para Bonn e, na madrugada de 13 de agosto de 1961, os russos ergueram uma barreira, para evitar que mais cidadãos fugissem para o lado capitalista. A fronteira, de 43 km de extensão, foi fechada em poucas horas.

A Guerra Fria foi iniciada oficialmente em 1947, quando Harry Truman, presidente dos EUA, fez um discurso prometendo proteger o mundo da “ameaça comunista”. Poucos dias depois, o secretário de Estado George Marshall anunciou uma iniciativa de ajuda para a combalida economia europeia (que ficou conhecida como o Plano Marshall).

Dois anos depois, a URSS deu início aos primeiros testes nucleares. As duas potências passaram a conviver com o espectro de um ataque atômico. Neste mesmo ano, 1949, foi criada a OTAN – Organização do Tratado do Atlântico Norte.

Em 1950, grupos pacifistas americanos começaram a promover atos públicos passaram a pressionar o governo para que ocorresse a desativação das ogivas nucleares. O argumento era que, se um lado tomasse esta iniciativa, o outro lado faria o mesmo. A ideia era boa, mas o que se viu foi um aumento exponencial do arsenal. Atualmente, os EUA possuem cinco mil e 500 ogivas de diferentes variedades.

A Rússia, com o desmembramento da URSS, possui um poder de fogo bem menos: 2.700 ogivas nucleares. O potencial, no entanto é assustador: são exatamente 57 megatons (mil toneladas de dinamite), um valor igual ou maior do que 3.500 bombas de Hiroshima.

Durante a Guerra da Coreia, que dividiu o país em dois territórios: capitalista e socialista (uma derrota dos EUA e aliados), o general Douglas MacArthur assumiu publicamente a possibilidade de detonar uma bomba atômica no Extremo Oriente. Felizmente, isto nunca aconteceu.

A guerra durou três anos, de 1950 a 1953. No final do conflito, morreu Joseph Stálin, secretário geral (e chefe de governo) do Partido Comunista da URSS desde 1922. Assumiu Nikita Kruschev. Um ano antes, a Inglaterra explodiu o primeiro artefato nuclear, na costa noroeste de Austrália: tornou-se mais um membro do clube atômico – e mais uma ameaça da a URSS.

Mas, ainda em 1953, a potência comunista testou a sua primeira arma termonuclear. Perdeu a corrida para os EUA em um ano, mas saíram na frente na “conquista do espaço”: em 1957, os russos lançaram o satélite artificial Sputnik, com uma versão militar para um míssil balístico intercontinental, o Semyorka.

A França conquistou a entrada para o clube atômico em 1960, lançando uma bomba de testes no atol de Bikini, na Polinésia francesa (a palavra biquíni, apenas um maiô de duas peças, deriva desta experiência destrutiva). Um ano depois, a Rússia lançou o primeiro homem ao espaço – um círculo em volta da Terra. O comandante foi o cosmonauta Yuri Gagarin, que cunhou a frase “A Terra é azul”.

Em 1964, a China revelou também ser portadora de um arsenal nuclear. No mesmo ano, Kruschev renunciou e o poder soviético caiu nas mãos de Leonid Brejnev. Cinco anos depois, os americanos anunciaram a criação dos MRV (veículos de reentradas múltiplas, na sigla em inglês), capazes de transportar cinco ogivas nucleares separadas.

A URSS divulgou ter conquistado a mesma tecnologia. Deu-se início a uma tentativa de acordo sobre a tecnologia nuclear, mas as tensões entre chineses e soviéticos quase deram início a um conflito entre os dos países de proporções gigantescas.
A crise dos mísseis

Até 1959, Cuba era apenas uma pequena ilha do mar do Caribe governada com forte influenciada pelos EUA. Neste ano, no entanto, uma revolução depôs o presidente (ou ditador) Fulgêncio Batista e Fidel Castro assumiu o poder no país, alinhando-se às ideologias comunistas.

Em 1961, os americanos apoiaram uma tentativa frustrada para depor o novo governante, o que determinou um alinhamento ainda maior ao bloco socialista. Um ano depois, a URSS tentou instalar uma base de mísseis em território cubano, o que fez o presidente americano John Kennedy cercar a pequena ilha, com ameaça de um ataque nuclear. Foi a crise dos mísseis.

Depois de muitos acordos diplomáticos, a URSS concordou em se retirar do Caribe, desde que os EUA afastassem os mísseis nucleares voltados para o seu território, instalados na Turquia. A ilha caribenha é notável pelos avanços em saúde e educação, mas até hoje se ressente das limitações determinadas pelo regime do partido único.
Mais cronologia

Em 1971, a China comunista substituiu a ilha de Formosa (Taiwan), que ainda considera uma “província rebelde”, no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Mais um país comunista se reunia às nações com direito a veto nas decisões da organização, ao lado de EUA, Rússia, França e Inglaterra.

Um tratado antibalístico, realizado em 1972, limitou o emprego das bombas nucleares. Foi assinado como SALT I (Treaty on Strategic Offensive Reductions, ou Tratado sobre Reduções Estratégicas Ofensivas), limitando o emprego de apenas dois sistemas nucleares em cada potência.

Dois anos depois, um acordo definiu o limite para arsenais (mísseis antibalísticos intercontinentais, submarinos nucleares e bombardeiros). EUA e URSS, no entanto, continuavam sem discutir a redução das ogivas. Enquanto isto, novos países continuavam a entrar no clube nuclear. O Brasil chegou a cogitar de construir a bomba.

Em 1979, surgiu o SALT II, sempre visando à redução das armas letais – que, a esta altura, já tinham potência para destruir uma Terra e meia. A URSS, no entanto, invadiu o Afeganistão, fato que prejudicou as negociações. Os EUA também invadiram a ilha de Granada, no mar do Caribe, para pôr fim a uma revolução de orientação marxista.

Continuando as negociações com muitas recuadas e avanços, em 1980, surgiu o tratado START (conversação sobre a limitação de armas nucleares), que fez progresso. Três anos depois, o presidente americano propôs um sistema antimísseis chamado “Guerra nas Estrelas”. Seria um escudo contra possíveis ataques nucleares.

Com uma nova constituição, sucederam-se Yuri Andropov, Konstantin Chernenko e Mikhail Gorbatchev como presidentes da URSS. Em 1988, a república socialista retirou-se do Afeganistão, fato que permitiu a atuação dos talibãs e, mais recentemente, o surgimento do Estado Islâmico.

No mesmo período, terminou a Guerra Irã-Iraque (este último país foi armado pelos EUA) e a intervenção da URSS em Angola e em Moçambique, países que conheceram revoluções socialistas nos anos 1970, depois de obter a independência de Portugal, uma das últimas potências imperialistas da Europa.

Em 1989, os alemães derrubaram o muro e reunificaram Berlim e o país, um símbolo de que o comunismo estava desaparecendo. No ano seguinte, o programa SALT II garantiu que as duas potências reduziriam as ogivas nucleares para “apenas” seis mil.

Em 1991, os dois países concordaram em eliminar todos os mísseis táticos terrestres na Europa e na Coreia, reduzindo a possibilidade de ataques com maior proximidade territorial. A URSS desapareceu no mesmo ano, fato que poderia significar o fim da Guerra Fria.

Os constantes ataques da Rússia à Ucrânia, no entanto, como a tomada da península da Crimeia, não podem nos tornar otimistas. A preocupação dos EUA, focada nos conflitos do Oriente Médio, também não serve como um incentivo.

Ao que parece, os homens continuaram a guerrear, aberta ou surdamente. Paus e pedras, conforme profetizou o cientista alemão Albert Einstein, deverão ser as nossas armas para uma possível quarta guerra mundial?

Ser feliz não é comer sempre o mesmo prato no restaurante que você mais gosta ou gozar de uma vida plena e tranquila; a ciência mostra que a chave para a satisfação pessoal é fazer coisas arriscadas, desconfortáveis e até mesmo desgastantes

O segredo da felicidade segundo a ciência

Editora Globo
Para nós, psicólogos que estamos sempre viajando de avião, a maneira como descrevemos nossa profissão para o vizinho de assento é determinante para saber se passaremos cinco horas ouvindo intrigas, detalhes de um casamento decadente, ou sobre o quanto é impossível resistir a uma bomba de chocolate. Mesmo usando fones de ouvido enormes, é impossível ignorar aquele passageiro decidido a contar sua história de abandono na infância. Para os que arriscam dizer a verdade e admitir que estudamos a felicidade, a resposta é quase sempre a mesma: o que eu posso fazer para ser feliz?

O segredo da felicidade é uma preocupação cada vez mais importante na era moderna, já que o aumento da estabilidade financeira proporciona a muitos a oportunidade de se concentrar no crescimento pessoal. Uma vez que já não somos mais caçadores preocupados em encontrar a próxima presa, procuramos viver nossas vidas da melhor maneira possível.

A busca da felicidade é uma epidemia mundial — em um estudo com mais de 10 mil participantes de 48 países, os psicólogos Ed Diener, da Universidade de Illinois, e Shigehiro Oishi, da Universidade de Virginia, descobriram que pessoas de todos os cantos do mundo consideram a felicidade mais importante do que outras realizações pessoais altamente desejáveis, tais como ter um objetivo na vida, ser rico ou ir para o céu. A febre da felicidade é estimulada em parte pelo crescente número de pesquisas que sugerem que, além de ser boa, a felicidade também faz bem — ela está ligada a muitos benefícios, desde maiores salários e um melhor sistema imunológico até estímulo à criatividade.

A maioria das pessoas entende que a felicidade verdadeira é mais do que um emaranhado de sentimentos intensos e positivos — ela é melhor descrita como uma sensação plena de “paz” e “contentamento”. Não importa como seja definida, a felicidade é parcialmente emocional — e por isso está ligada à máxima de que cada indivíduo tem um ponto de regulação, como um termostato, definido pela bagagem genética e a personalidade de cada um.

A felicidade verdadeira dura mais do que uma dose de dopamina, por isso é muito importante pensar nela como algo que vai além da emoção. A sensação de felicidade de cada um também inclui reflexões cognitivas, tais como quando você ri — ou não! — da piada do seu melhor amigo, ou quando analisa o formato do seu nariz ou a qualidade do seu casamento. Somente parte desta sensação tem a ver com o que você sente; o resto é produto de um cálculo mental, em que você computa suas expectativas, seus ideais, a aceitação daquilo que não pode mudar e inúmeros outros fatores. Assim, a felicidade é um estado mental e, como tal, pode ser intencional e estratégico.

Não importa qual seja o seu ponto de regulação emocional, seus hábitos diários e suas escolhas — da maneira como você lida com uma amizade até como reflete sobre decisões em sua vida — podem influenciar o seu bem-estar. Os hábitos de pessoas felizes foram documentados em estudos recentes e fornecem uma espécie de manual a ser seguido. Aparentemente (e paradoxalmente, é preciso dizer), atividades que causam incerteza, desconforto, e mesmo uma pitada de culpa estão associadas às experiências mais memoráveis e divertidas das vidas das pessoas. As pessoas mais felizes, ao que parece, têm vários hábitos não-intuitivos que poderiam ser considerados como infelizes. Ou seja, nem tudo aquilo que os livros de auto-ajuda defendem que pode te fazer feliz tem parcela significativa na sua felicidade. A felicidade pode vir de onde menos se esperava. Duvida? Que bom, isso significa que você tem grandes chances de ser feliz. Confira a seguir como.


01> O IMPORTANTE É CORRER RISCOS 
Situações complicadas, incertas e até mesmo desgastantes são fundamentais para aumentar nossa sensação de satisfação 
Editora Globo
É sexta-feira à noite e você tem planos de jantar com os amigos. Se você quiser ter certeza de que vai chegar em casa satisfeito, você pede uma pizza ou um hambúrguer. Se, em vez disso, você escolher um tipo de comida que nunca experimentou (culinária etíope — claro, por que não?) você corre o risco de não gostar muito daquela injera com wat (tipo de massa fina de pão coberta com carne condimentada) —, mas pode ser que se surpreenda com um sabor delicioso.

Pessoas verdadeiramente felizes aparentam saber intuitivamente que a felicidade duradoura não se trata apenas de fazer aquilo de que gostamos. Ela também exige crescimento pessoal e se aventurar além dos limites da sua zona de conforto. Em um estudo de 2007, os psicólogos do estado do Colorado Todd Kashdan e Michael Steger monitoraram as atividades diárias de estudantes e como eles se sentiam durante 21 dias; aqueles que sentiam curiosidade em determinado dia também se diziam mais satisfeitos com a vida — e se envolviam em um número maior de atividades que levavam à felicidade, tais como expressar sua gratidão aos colegas ou praticar atividades voluntárias.

A curiosidade — aquele estado pulsante e ávido do não-saber — é fundamentalmente um estado de ansiedade. Quando, por exemplo, o psicólogo Paul Silvia mostrou aos participantes de uma pesquisa uma série de pinturas, as imagens tranquilas de Claude Monet e Claude Lorrain evocaram sentimentos felizes, enquanto as obras misteriosas e inquietantes de Egon Schiele e Francisco Goya causaram curiosidade.

Ao que parece, a curiosidade consiste basicamente em explorar. Pessoas curiosas em geral entendem que, apesar de não ser fácil se sentir desconfortável e vulnerável, este é o caminho para se tornar mais forte e sábio. Na verdade, um olhar aprofundado no estudo de Kashdan e Steger sugere que pessoas curiosas investem em atividades que lhe causam desconforto, pois estas atuam como um trampolim para estados psicológicos mais elevados.

É claro que existem diversas circunstâncias na vida em que a melhor maneira de aumentar seu grau de satisfação é simplesmente fazer o que te faz bem, como tocar sua música favorita numa jukebox ou fazer planos para visitar seu melhor amigo. Mas, de vez em quando, vale a pena buscar uma nova experiência, mais complicada, incerta e até mesmo desgastante — seja finalmente fazer aquela aula de caratê pela primeira vez ou ceder a sua casa para a exibição do filme de arte de um colega. As pessoas mais felizes optam pelas duas vias e assim se beneficiam de ambas.


02> DETALHES TÃO PEQUENOS 
Pessoas mais felizes não são minuciosas e têm uma proteção emocional natural contra o desgaste dos pequenos detalhes 
Editora Globo
Uma crítica comum às pessoas felizes é que elas não são realistas — levam a vida alegremente sem levar em conta os perigos e problemas do mundo. Pessoas satisfeitas tendem a ser menos analíticas e atentas a detalhes. Um estudo conduzido pelo psicólogo Joseph Forgas, da Universidade de New South Wales, constatou que pessoas com uma predisposição a serem felizes — ou seja, aquelas que tendem a ser positivas — são menos céticas do que as outras. Elas são menos críticas e mais receptivas com estranhos, o que as torna mais suscetíveis a mentiras e golpes.

Claro, ficar de olho nos detalhes pode ajudar quando se trata de navegar o complexo universo social de colegas e namorados — e é algo que as pessoas menos alegres tendem a fazer. Na verdade, o psicólogo da Universidade Virginia Commonwealth, Paul Andrews, argumenta que a depressão é, na verdade, uma questão de adaptação. Pessoas depressivas, segundo a lógica, tendem a refletir e processar mais suas experiências do que as outras — e, por consequência, ter mais insights sobre si mesmo ou sobre a condição humana —, embora paguem um preço emocional por isso. Um pouco de atenção aos detalhes ajuda a avaliar o universo social de maneira mais realista.

No entanto, muita atenção aos detalhes pode interferir no nosso funcionamento cotidiano, como dizem as pesquisas realizadas pela psicóloga Kat Harkness, da Queen’s University. Em seu estudo, ela mostra que as pessoas deprimidas tendem a notar mudanças nas expressões faciais dos outros a cada minuto. Já as pessoas felizes tendem a ignorar tais mudanças repentinas — um ar de aborrecimento, um sorriso sarcástico. Você provavelmente conhece tal fenômeno das interações com seu parceiro. Quando estamos de mau humor, notamos pequenas mudanças de expressão que geralmente surgem de uma briga (“Eu vi você virar os olhos pra mim! Por que você fez isso?!”), mas quando estamos de bom humor, passamos por cima desses detalhes (“Você me provoca, mas eu sei que no fundo você ama estar perto de mim”). As pessoas mais felizes têm uma proteção emocional natural contra a energia desgastante dos pequenos detalhes.

Do mesmo modo, as pessoas mais felizes não dão tanta importância para o seu desempenho. Ao rever a literatura de pesquisa de Oishi e seus colegas, nota-se que as pessoas mais felizes — cujas notas foram 9 ou 10 no quesito satisfação com a vida — tendem a ter desempenhos piores do que pessoas medianamente felizes quando se trata de notas, frequência em aulas e salários. Em resumo, elas se preocupam menos com o seu desempenho; acreditam que vale a pena sacrificar um certo grau de realização para não ter que se preocuparem com coisas pequenas.


03> EU TORÇO POR VOCÊ 
Comemorar de verdade o sucesso dos seus amigos pode te fazer mais feliz do que conquistar os seus próprios 
Você já ouviu isso um milhão de vezes: um bom amigo é aquele com quem você pode contar quando precisa. Segundo uma pesquisa recente da Gallup World Poll, o melhor indicador de felicidade no trabalho era se a pessoa tinha ou não um melhor amigo com quem podia contar. Assim, faz sentido pensarmos que um bom amigo é aquele que nos leva pra tomar uma cerveja quando recebemos uma promoção no trabalho — ou que somos um quando buscamos aquele amigo no bar que acabou de ser demitido e está muito bêbado para voltar pra casa dirigindo.

De fato, tal apoio alivia as pancadas difíceis da vida e ajuda a vítima a superá-las. Ainda assim, novas pesquisas revelam uma ideia menos intuitiva sobre amizades: as pessoas mais felizes são aquelas que estão presentes nos sucessos dos amigos e cujas realizações são comemoradas por eles.

Tal ideia é reforçada pela psicóloga Shelly Gable, da Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara. Uma pesquisa realizada por ela e alguns colegas revelou que quando parceiros românticos falham em dar importância ao sucesso do outro, o casal tem mais chances de se separar. Em contrapartida, quando os parceiros comemoram as realizações uns dos outros, eles tendem a ficar mais satisfeitos e compromissados com o relacionamento, desfrutando de mais amor e felicidade.

No entanto, fora do nosso relacionamento principal, por que capitalizar o sucesso dos outros nos faria mais feliz? Por que devemos apoiar aquele amigo sortudo, ouvindo todos os detalhes de mais uma de suas conquistas sexuais quando nós mesmos passamos muitas noites de sexta-feira lendo gibi? Primeiramente, ele precisa de você, de verdade. O processo de conversar sobre uma experiência positiva com alguém que escuta atentamente muda, de fato, a memória daquele evento — dessa forma, depois de falar sobre a sua experiência, seu amigo vai se lembrar daquela noite com a modelo de maneira ainda mais positiva do que ela foi realmente, e vai ser mais fácil para ele relembrar deste encontro alguns anos depois, quando ela der o fora nele. Mas igualdade é importante, e você também pode pegar uma carona na positividade do seu amigo. Assim como nós nos sentimos mais felizes quando compramos presentes ou doamos dinheiro para caridade em vez de gastarmos com nós mesmos, nos sentimos mais felizes ao ouvir os relatos de sucesso de nossos amigos.

Na vida, existem muitas pessoas esperando uma oportunidade para mostrar seu heroísmo. Difícil mesmo é encontrar pessoas que realmente conseguem compartilhar a alegria e realização dos outros sem sentir inveja. Assim, mandar flores para uma amiga que está se recuperando de uma cirurgia pode ser generoso da sua parte, porém oferecer o mesmo buquê quando ela se formar em Medicina ou ficar noiva gera mais satisfação para ela — e principalmente para você.


04> SENTIMENTOS NEGATIVOS À MOSTRA 
Admitir sentir raiva ou inveja pode nos tornar mais flexíveis, e a habilidade de mudar nosso estado mental é fundamental para o bem-estar 
Editora Globo
As pessoas mais saudáveis psicologicamente têm um entendimento nato de que as emoções servem como um feedback — um sistema de radar interno que fornece informações sobre o que está acontecendo (e o que vai acontecer) no nosso universo social. Pessoas felizes e radiantes não escondem seus sentimentos negativos. Elas reconhecem que a vida é cheia de decepções e batem de frente com elas, sempre usando de sua raiva para se defender e de sua culpa como motivador para mudar seu próprio comportamento. Esta hábil alternância entre prazer e dor — habilidade de mudar seu comportamento para atender à demanda da situação — é conhecida como flexibilidade psicológica.

A habilidade de mudar o estado mental de acordo com a circunstância é um aspecto fundamental para o bem-estar. George Bonanno, psicólogo da Columbia University, descobriu que, após o 11 de Setembro, as pessoas mais flexíveis que moravam em Nova York quando os ataques aconteceram — aquelas que ocasionalmente sentiam raiva, mas também escondiam sua emoção quando necessário — se recuperaram mais rápido e desfrutaram de melhor saúde mental do que as que não souberam se adaptar.

Oportunidades para reagir de maneira flexível estão em toda parte: uma recém-casada que acaba de descobrir que é infértil talvez esconda sua desesperança de sua mãe, mas se abra com a amiga; pessoas que passaram por algum trauma talvez expressem sua raiva para outras que compartilham do mesmo sentimento, mas a esconda de amigos. O que nos permite obter melhores resultados em diferentes situações é a capacidade de tolerar o desconforto causado pela mudança de estado de espírito de acordo com nossa companhia e suas atitudes.

Aprender a lidar com o desconforto emocional é algo que se faz aos poucos. Da próxima vez em que você tiver um desentendimento com alguém, em vez de beber uma dose de uísque, tente simplesmente tolerar aquele sentimento por alguns minutos. Com o passar do tempo, sua capacidade de tolerar emoções negativas vai aumentar.


05> ENCURTANDO A CURTIÇÃO 
Prive-se dos prazeres imediatos: banho demorado, barra de chocolate, sessão de TV… As pessoas mais felizes têm metas longas e definidas 
Editora Globo
Até a pessoa mais esforçada concorda que uma vida cheia de objetividade e sem prazeres é muito chata. Pessoas felizes sabem se permitir certas indulgências momentâneas que são gratificantes — tomar um banho longo, faltar na ginástica no sábado para assistir a uma partida de futebol na TV… Se você se concentra principalmente em atividades que te dão prazer instantâneo, você pode estar perdendo os benefícios de ter uma meta definida. Objetivos nos levam a correr riscos e fazer mudanças — mesmo face à privação e ao sacrifício da felicidade a curto prazo.

Ao tentar descobrir como as pessoas equilibram prazer e objetivo, Michael Steger e seus colegas da Colorado State mostraram que o ato de tentar compreender nosso mundo é o que geralmente nos desvia de nossa felicidade. Afinal, esta é uma missão carregada de tensão, incerteza, complexidade, momentos de intriga e agitação, e conflitos entre o desejo de se sentir bem e a vontade de progredir em direção ao que mais valorizamos. Ainda assim, no geral, as pessoas mais felizes tendem a sacrificar mais os prazeres a curto prazo quando existe uma boa oportunidade de progredir em direção ao que elas desejam ser na vida.

Uma pesquisa realizada pelo neurocientista Richard Davidson, da Universidade de Wisconsin, revelou que progredir em direção à realização de nossos objetivos nos faz sentirmos mais envolvidos e nos ajuda a tolerar sentimentos negativos que podem surgir neste percurso.

Ninguém diz que ter um objetivo na vida é fácil ou que seja uma tarefa simples, mas pensar nas atividades gratificantes e significativas que você fez na semana passada, no que você é bom e nas experiências das quais você não abre mão pode ajudar. Observe também as situações em que suas respostas refletem aquilo que você acha que devia dizer em vez daquilo em que realmente acredita. Por exemplo, ser pai não significa que o tempo que você passa com seus filhos é a parte mais energizante e significativa da sua vida — e é importante aceitar isso. As pessoas mais felizes conseguem combinar aquilo que mais gostam com uma vida de objetivos e satisfação.

Desemprego ficou em 9% no trimestre até outubro e tem maior taxa da série. Presidente participou de café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto

Dilma diz que ‘grande preocupação’ do governo é com desemprego

Filipe Matoso e Roniara CastilhosDo G1 e da TV Globo, em Brasília
A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta sexta-feira (15), em um café da manhã no Palácio do Planalto com jornalistas de sites, agências de notícias estrangeiras e revistas, que, atualmente, todo o esforço do governo federal está voltado para impedir que o desemprego se eleve ainda mais. Em sua segunda entrevista coletiva do ano, a petista ressaltou que essa é sua “grande preocupação”.
DESEMPREGO
trimestre terminado em (em %)
6,87,47,988,18,38,68,78,99em %janfevmarabrmaijunjulagosetout6,577,588,599,5
Fonte: IBGE
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta sexta-feira que a taxa de desemprego ficou em 9% no trimestre encerrado em outubro de 2015. Essa foi a maior taxa da série histórica, iniciada em 2012.
No trimestre encerrado em julho, a taxa havia atingido 8,6% e, no período de agosto a outubro de 2014, chegou a 6,6%.
“Todo esforço do governo […] é para impedir que no Brasil nós tenhamos um nível de desemprego elevado. Para mim, é a grande preocupação, é o que nós olhamos todos os dias. É aquilo que mais me preocupa e aquilo que requer mais atenção do governo”, destacou Dilma aos jornalistas no café da manhã que durou cerca de uma hora e 20 minutos.
Segundo o IBGE, no trimestre encerrado em outubro, a população desocupada chegou a 9,1 milhões de pessoas. Isso representa um aumento de 5,3% em relação ao trimestre de maio a julho e de 38,3% em comparação com o mesmo período de 2014.
Reflexo da deterioração do mercado de trabalho no período, o número de empregados com carteira assinada recuou 1%, na comparação com o trimestre anterior (encerrado em julho), e 3,2%, em relação ao mesmo período do ano anterior.
Além de falar sobre suas preocupações em torno da elevação do desemprego no Brasil, Dilma também se manifestou sobre a recriação da CPMF, o processo de impeachment, a proposta de reforma da Previdência Social, o preço do petróleo, a tentativa de recriação da CPMF e a independência do Banco Central.
CPMF
Apresentando alternativas para tentar reaquecer a economia, Dilma disse durante o café da manhã que o reequilíbrio fiscal passa pelo aumento de impostos.
Ela aproveitou o encontro com a imprensa para voltar a defender a recriação da CPMF. Em setembro do ano passado, o Executivo enviou ao parlamento uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê a criação de um tributo nos mesmos moldes do antigo “imposto do cheque”, que foi extinto em 2007.
Embora a tramitação da PEC da CPMF no Congresso ainda esteja em estágio preliminar, o Orçamento da União aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado por Dilma nesta quinta-feira (14) já prevê arrecadação de R$ 10,3 bilhões com a criação da nova CPMF.
“Algumas medidas são urgentes. Reequilibrar o Brasil num quadro em que há queda de atividade implica, necessariamente, a não ser que nós façamos uma fala demagógica, em ampliar impostos. Eu estou me referindo à CPMF.”
‘Pedaladas fiscais’
Em outro momento do café da manhã, Dilma comparou as chamadas “pedaladas fiscais” – como ficaram conhecidos os atrasos de pagamentos de benefícios sociais a bancos públicos – a uma pessoa que andava sem cinto no carro quando a lei não estipulava como obrigatório o seu uso pelos passageiros.
Em razão dessa prática, o Tribunal de Contas da União (TCU) recomendou que o Congresso rejeite as contas do governo Dilma de 2014. As “pedaladas fiscais” também ajudaram a embasar o pedido de impeachment que foi autorizado, em dezembro, pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Na última semana de 2015, o Tesouro Nacional anunciou que concluiu o pagamento de todas as “obrigações” devidas ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), ao Fundo de Garantia  por Tempo de Serviço (FGTS) e ao Banco do Brasil.
“O governo pagou o que devia aos bancos, mas não reconhece erro, porque quando alguém não usa sinto de segurança, e isso não está previsto na legislação, ninguém está cometendo ilegalidades”, justificou.
Processo de impeachment
Ao comentar o processo de impeachment em curso no Congresso Nacional, Dilma Rousseff afirmou que não se tira um presidente do cargo por não simpatizar ou não gostar dele. A petista voltou a acusar parte da oposição de estar tentando promover um “golpe” no país.
A chefe do Executivo se tornou alvo de um processo de impeachment em dezembro, quando o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), autorizou a abertura do procedimento de afastamento com base no pedido dos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior.
“A questão mais importante para o país é a reforma da Previdência. Mas isso não quer dizer que as tentativas golpistas de parte da oposição não sejam importantes também. Afinal, isso é uma questão que significa estabilidade política. Não se pode achar que se tira um presidente porque não se simpatiza com ele ou achar que se tira um presidente porque não gosta dele”, queixou-se Dilma.
Reforma da Previdência
A exemplo do que havia defendido na semana passada – em outro café da manhã com jornalistas –, a presidente da República se manifestou mais uma vez nesta sexta-feira a favor de uma reforma “gradual” da Previdência Social. No entanto, ela ressaltou novamente que a eventual mudança nas regras previdenciárias não irá mexer em direitos adquiridos.
Dilma não explicou qual modelo de Previdência Social que ela considera mais adequado. Porém, advertiu que o fator previdenciário móvel pode ser incluído na reforma.
“A reforma da Previdência tem de ser compreendida técnica e politicamente. Essa não é uma questão desse ou daquele governo e sequer pode ser politizada. Têm vários caminhos para o consenso. E um deles é o do fator previdenciário móvel, que pode ser incorporado à reforma”, enfatizou.
Temer e PMDB
A presidente também dedicou parte do café da manhã a falar sobre sua atual relação com o vice-presidente da República Michel Temer e com o PMDB, partido do qual ele é presidente nacional.
A relação entre Dilma e o vice vive o momento de maior desgaste desde que eles chegaram ao Planalto, em 2011, porque, em dezembro, Temer enviou a ela uma carta na qual apontou desconfiança da presidente sobre a atuação dele.
“Eu e meu governo temos toda consideração com o vice-presidente Temer. Inclusive, nós temos duas regiões agendadas, uma para esta semana. […] Para nós, é importante que haja uma relação de absoluta responsabilidade e que seja fraterna”, disse.
Dilma ainda acrescentou que o Planalto não vai interferir em “questões internas” de partidos como o PMDB e o PT porque isso “não é certo isso nem democrático”. Em março, o PMDB vai eleger a nova direção nacional e Temer é candidato à recondução do cargo.
Banco Central
Durante o encontro, Dilma foi questionada se havia mudado sua opinião em relação à autonomia do Banco Central. Na campanha eleitoral de 2014, gerou polêmica as peças publicitárias do PT que afirmavam que, se os adversários de Dilma vencessem a disputa, o Banco Central se tornaria independente e isso retiraria alimentos da mesa da população.
Nesta sexta-feira, a presidente argumentou que, para o governo, o Banco Central não é independente, mas, sim, autônomo para executar suas políticas.
“O Banco Central é uma instituição autônoma para fazer suas políticas, mas isso não significa que ele não preste contas. A relação entre as políticas fiscal e monetária passa pela avaliação de que temos um problema na área da inflação muito forte. O Banco Central é autônomo, mas não é independente, porque não é um poder”, observou Dilma.
Manifestações de rua
A presidente também foi questionada pelos repórteres sobre as manifestações de rua, em especial as realizadas nos últimos dias em São Paulo, nas quais têm ocorrido confronto entre manifestantes e policiais.
Para Dilma, o país aprendeu a conviver com as manifestações e aprendeu a respeitá-las.
“Acho que, no nosso caso, conquistamos a democracia, e ela tem de ser cuidada e suas regras respeitadas. […] As manifestações, nós aprendemos a conviver e a respeitá-las. Acho que tratar das questões da democracia, as manifestações são uma prática normal”, analisou.
Dieta
Apesar de a assessoria do Palácio do Planalto ter servido pães, bolos, pão de queijo, frios e suco de laranja na mesa do café da manhã oferecido aos jornalistas, Dilma se limitou a comer uma fatia de queijo e tomar um copo de água e uma xícara de café, com quatro gotas de adoçante.
Desde outubro de 2014, quando encerrou a campanha eleitoral acima do peso, a presidente passou a fazer dieta e a praticar exercícios físicos.
Com frequência, a chefe do Executivo é vista pedalando nas primeiras horas da manhã nas ruas próximas ao Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência.
Crie um site como este com o WordPress.com
Comece agora