Presidente da Câmara anunciou nesta quarta (2) que aceitou pedido. Anúncio ocorreu horas depois de o PT anunciar que votaria contra Cunha

Veja repercussão após Cunha aceitar pedido de impeachment de Dilma

Do G1, em Brasília
Veja a repercussão após o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), anunciar que aceitou pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff:
Aécio Neves (MG), senador e presidente nacional do PSDB:
“Eu não tenho como fazer essa avaliação [de que teria sido um ato de revanche de Cunha]. Coube a nós discutir uma peça que foi produzida de forma muito consistente por juristas renomados acima de qualquer suspeita, como o caso do jurista Hélio Bicudo, um ex-petista. Então, o que me parece é que esse processo seguiu o trâmite burocrático, o trâmite constitucional, da mesma forma que outras propostas de impeachment foram arquivadas, o presidente da Câmara cumpriu o seu dever e resolveu aceitar essa representação”.

Artur Bisneto (PSDB-AM), deputado federal:
“O Cunha demorou demais. É um pedido muito bem embasado de juristas renomados do país e o deputado Cunha adiou o prazo diversas vezes e prometeu apresentar um parecer e diversas vezes adiou. Então eu acho que demorou demais e ao mesmo tempo eu nunca recebi tanta mensagem na vida como eu to recebendo agora. As pessoas cobrando posição, as pessoas querendo informação, a população brasileira quer isso. Então a Câmara pela primeira vez tá indo de encontro com a população.”

Bruno Araújo (PSDB-PE), deputado federal e líder da minoria:
“Vamos decidir ainda hoje [quarta] os nomes para ocupar a comissão especial. Represália ou não é um requerimento legítimo embasado juridicamente que permitirá que haja uma discussão serena”.

Humberto Costa (PE), líder do PT no Senado:
“É uma questão regimental. Ele resolveu aceitar, muito embora não haja qualquer coisa que justifique essa decisão. A presidenta Dilma não cometeu qualquer tipo de crime, não roubou, não abriu conta na suíça, não cometeu nenhuma atividade ilícita. E nos vamos enfrentar essa questão. […] Nós saímos de uma condição de estarmos sendo chantageados, isso já é uma coisa importante”.

José Agripino Maia (RN), senador e presidente nacional do DEM:
“Esse é um assunto que se impunha decidir. O país agora sai do impasse sobre se Dilma fica ou sai. E com essa definição o Brasil reencontrará o seu caminho”.

Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), deputado federal:
“O Eduardo Cunha ficou dois dias na imprensa sendo acusado pelo PT de chantagem. Agora ele mostra que decide sobre o impeachment como quiser. É uma demontração de transparência, não tem a ver com o Conselho de Ética”.

Luiz Araújo, presidente nacional do PSOL:
“A aceitação do processo de impeachment por Eduardo Cunha é mais uma demonstração da deterioração da politica brasileira. Acuado pela possibilidade de ser cassado, Cunha passou a semana chantageando o PT para que este votasse pelo arquivamento da denúncia feita pelo PSOL. […] Concordar com o impeachment é reforçar a estratégia da direita de acelerar o ajuste e a pauta conservadora. Os trabalhadores foram enganados por Dilma, mas ela foi eleita. Entregar o governo pra direita é acelerar processo de perda de direitos”.

Ordem dos Advogados do Brasil (OAB):
“A OAB mantém sua posição de analisar os elementos levantados pelos órgãos de controle e pela imprensa e dar uma resposta com embasamento técnico-jurídico para a sociedade. O assunto está sob análise do Conselho Federal da OAB, que levará em conta, para opinar, as pedaladas fiscais, a prisão do líder do governo no Senado e delações premiadas que dão conta de um amplo esquema de corrupção no seio do governo.”

Pauderney Avelino (DEM- AM):
“O Brasil está sofrendo muito e eu garanto a vocês que não há nenhuma solução para o nosso país com este governo e a presidente que está aí, portanto acho que este é o passo inicial para resolvermos os problemas cruciais para o nosso país.”

Paulo Teixeira (PT-SP), deputado federal:
“Na minha opinião, o Cunha opera contra o brasil. Ele quer levar o brasil à instabilidade, instabilidade na economia, instabilidade na política. Ele faz isso com o objetivo de evitar progresso do processo contra ele no Conselho de Ética. Todas aquelas questões que estão contra Dilma não tem mais fundamento jurídico. Todas aquelas ditas irregularidades, apontadas pelo Tribunal de Contas da União, foram regularizadas hoje com o PLN 05”.

Renan Calheiros (PMDB-AL), senador e presidente do Congresso Nacional:
“Os fatos não estão instruídos, eu não conheço o que é que o processo contém. Dependendo do que acontecerá na Câmara, virá ou não para o Senado, portanto não é prudente antecipar qualquer posição”.

Ronaldo Caiado (GO), senador e líder do DEM:
“Uma vez autorizados a comissão e o encaminhamento da votação ao plenário da Câmara, teremos um momento extremamente alentador. Estamos devolvendo à Câmara a prerrogativa de investigar a presidente. As pessoas vão acreditar na segurança jurídica, na perspectiva de um plano de governo, na escolha de ministros capacitados e em uma unidade política capaz de reerguer o país dessa crise”.

Rui Falcão, presidente nacional do PT:
“Golpistas não passarão”, em mensagem publicada no microblog Twitter.

Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), senadora:
“Eu acho que é uma reação de uma pessoa acoada. Entendo como uma revanche na iminência de um processo contra o Eduardo Cunha no Conselho de Ética. É lamentável, ele estava jogando com isso. Acredito que, com essa atitude, cai a máscara do Cunha”.

Walter Pinheiro (PT-BA), senador:
“Agora é esperar as coisas acontecerem. Agora é enfrentar”.
Dalmo Dallari, jurista
“Eu acho que não há o mínimo fundamento jurídico para o impeachment. Eu examinei e reexaminei, conheço os pareceres e tenho a profunda convicção de que não irá adiante. Provavelmente ele [Cunha] resolveu levado por algum interesse pessoal. Ele está acuado pelo risco de cassação do seu próprio mandato, porque, dentro da própria Câmara, existe um movimento muito forte e, naturalmente, ele está fazendo uma tentativa de forçar uma negociação. Mas essa tentativa é inconsistente. Não tem qualquer fundamento jurídico. Os dois [juristas que fizeram o pedido] têm uma posição política muito forte, muito definida, contra o PT. A fundamentação deles foi exclusivamente política não foi jurídica. Porque se tivessem feito um exame jurídico, não apresentariam. Acho que isso vai dentro de poucos dias isso vai é mera fantasia, não vai ter qualquer consequência prática.”
Carlos Ari Sundfeld, jurista
“As normas sobre o crime de responsabilidade foram conscientemente escritas, há décadas, para dar ao Congresso Nacional um largo juízo político. Chegou a hora da presidente Dilma: há fatos graves, o Brasil parou em crise e cabe exclusivamente aos parlamentares decidir se usam ou não impedimento. O Supremo Tribunal Federal garantirá o devido processo a Dilma, mas não pode garantir-lhe o mandato.”
Marco Aurélio Mello, ministro do Supremo Tribunal Federal
“Nessa parte da tramitação a lei é muito clara. Havendo uma notícia da prática de crime de responsabilidade, se o documento que a veicula não for um documento irregular, cumpre ao presidente da Casa constituir uma comissão, que dará um parecer. E esse parecer será submetido a um colegiado, para que o colegiado diga se aquela notícia merece ou não deliberação. Acolhendo de forma positiva, volta a matéria à comissão para um novo parecer e aí vir o colegiado deliberar quanto ao recebimento ou não.”

Abertura de processo foi autorizada pelo presidente da Câmara. Pedido foi formulado pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior

Processo de impeachment de Dilma: perguntas e respostas

Rosanne D’AgostinoDo G1, em São Paulo
O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, autorizou nesta quarta-feira (2) que acolheu o pedido para a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. O peemedebista afirmou que, dos sete pedidos de afastamento que ainda estavam aguardando sua análise, ele deu andamento ao requerimento formulado pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior.
O que acontece agora?
A autorização é apenas o primeiro passo. Agora, o pedido será analisado por uma comissão especial formada por deputados de todos os partidos, proporcional ao tamanho de cada bancada. A presidente terá um prazo para se defender. A comissão vai dar um parecer a favor ou contra a abertura do processo, que vai ao plenário. Se os parlamentares decidirem pela abertura do processo de impeachment, por dois terços dos deputados, Dilma será obrigada a se afastar do cargo por 180 dias, e o processo seguirá para julgamento do Senado (Veja abaixo a tramitação completa).
O que está sendo analisado?
Os juristas atacam as chamadas “pedaladas fiscais”, prática atribuída ao governo de atrasar repasses a bancos públicos a fim de cumprir as metas parciais da previsão orçamentária, o que atentaria contra a probidade da administração e contra a lei orçamentária. A denúncia é de que houve crime de responsabilidade, uma das hipóteses em que um presidente poderia ser impedido de continuar exercendo seu mandato.
O que é um crime de responsabilidade?
São infrações cometidas por agentes políticos no desempenho de sua função que atentem contra a Constituição, a probidade da administração, lei orçamentária, entre outros, que estão previstos em lei.
Isso significa que a presidente será impedida?
Não. O que existe agora é uma denúncia, que passará pelo crivo de uma comissão especial, que proferirá um parecer sobre se ela pode ou não ser julgada. Ainda serão ouvidas testemunhas, poderão ser realizadas diligências, e a presidente poderá apresentar sua defesa.
O que Dilma disse sobre o pedido de impeachment?
Dilma Rousseff negou “atos ilícitos” em sua gestão e afirmou que recebeu com “indignação” a decisão do peemedebista. “São inconsistentes e improcedentes as razões que fundamentam esse pedido. Não existe nenhum ato ilícito praticado por mim, não paira contra mim nenhuma suspeita de desvio de dinheiro público”, disse.
Qual a argumentação de Eduardo Cunha para decidir acolher o pedido?
Cunha alegou que Dilma editou decretos liberando crédito extraordinário, em 2015, sem o aval do Congresso, somando R$ 12,5 bilhões. “Nesse particular, entendo que a denúncia oferecida atende aos requisitos mínimos necessários, eis que indicou ao menos seis decretos assinados pela denunciada no exercício financeiro de 2015, em desacordo com a Lei de Diretrizes Orçamentárias e, portanto, sem autorização do Congresso Nacional.”
A presidente continua no cargo?
Sim. O afastamento do presidente do cargo só ocorre se a Câmara aprovar, por votos de dois terços de seus membros (342 votos dos 513 deputados), o parecer da comissão especial. Nesse caso, são até 180 dias de afastamento.
Quem apresentou o pedido?
Os juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Junior registraram o pedido no 4º cartório de notas de São Paulo. Ele também é assinado pela advogada Janaina Paschoal, professora da Universidade de São Paulo, e por representantes de movimentos contra a corrupção.
Esse pedido é juridicamente válido?
Segundo juristas ouvidos pelo G1, o processo de impeachment no Congresso é um processo político, mas eles divergem sobre se há um fundamento jurídico para embasar a denúncia contra Dilma. Para Dalmo Dallari, trata-se de uma “tentativa inconsistente”. Já Carlos Ari Sundfeld acredita que houve o crime de responsabilidade.
Dilma pode recorrer contra a decisão de Cunha?
Deputados do PT anunciaram que vão pedir a suspensão do processo ao Supremo Tribunal Federal (STF) alegando abuso de poder do presidente da Câmara. Ele nega ter autorizado a abertura por motivo político. Ele anunciou sua decisão horas depois que os deputados decidiram votar pela continuidade das investigações contra ele no Conselho de Ética. Mas a autorização de Cunha não requer fundamentação jurídica. E quem vai decidir de fato sobre se o processo vai ser deliberado pelo plenário será uma comissão especial nomeada especificamente com esse objetivo.
Essa decisão afeta a economia?
dólar começou o dia em baixa e a Bovespa em alta um dia após o anúncio. “A (eventual) saída de Dilma é vista como positiva e representa mudanças. Entretanto, temos que lembrar que o processo é longo e incerto, fragiliza ainda mais o já combalido governo do PT e coloca o país mais perto de perder o seu segundo grau de investimento”, disse o operador da corretora SLW João Paulo de Gracia Correa.
Como outros políticos reagiram à decisão?
Houve grande divergência sobre se o pedido é cabível ou não. Veja aqui a repercussão completa.

Eduardo Cunha anunciou nesta quarta (2) que aceitou impeachment. Após anúncio, Dilma convocou imprensa para pronunciamento no Planalto

Dilma nega ‘atos ilícitos’ e se diz indignada com decisão de Cunha

Fernanda Calgaro e Filipe MatosoDo G1, em Brasília
Após o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), anunciar que aceitou pedido de impeachment nesta quarta-feira (2), a presidente Dilma Rousseff negou “atos ilícitos” em sua gestão e afirmou que recebeu com “indignação” a decisão do peemedebista.
A declaração ocorreu em meio a um pronunciamento (leia abaixo a íntegra) dela no Salão Leste do Palácio do Planalto, que durou cerca de três minutos.

“Hoje [quarta] eu recebi com indignação a decisão do senhor presidente da Câmara dos Deputados de processar pedido de impeachment contra mandato democraticamente conferido a mim pelo povo brasileiro”, disse Dilma, em pronunciamento no Palácio do Planalto.

“São inconsistentes e improcedentes as razões que fundamentam esse pedido. Não existe nenhum ato ilícito praticado por mim, não paira contra mim nenhuma suspeita de desvio de dinheiro público”, acrescentou.

No início da noite desta quarta, Eduardo Cunha convocou jornalistas para um anúncio no Salão Verde da Câmara dos Deputados. Nesse pronunciamento, afirmou ter aceito pedido movido pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior, negou motivação política, mas enfatizou que o pedido respeitava a legislação.

Responsável pela abertura do processo de impeachment de Dilma, Cunha é suspeito de ter envolvimento com o esquema de corrupção que atuou na Petrobras e é investigado na Operação Lava Jato.

Além disso, o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados apura se o peemedebista quebrou o decoro parlamentar por supostamente mentir à CPI da Petrobras quando disse que não tinha contas na Suíça – posteriormente, em entrevista ao G1 e à TV Globo, ele disse ter o usufruto das contas, mas ser não o dono delas.
Em seu pronunciamento no Planalto, Dilma foi irônica: “não possuo conta no exterior, nem ocultei do conhecimento público a existência de bens pessoais. Nunca coagi, ou tentei coagir instituições ou pessoas na busca de satisfazer meus interesses.”
A presidenta também negou ter havido qualquer tipo de negociação com Cunha na tentativa de evitar o impeachment em troca de poupá-lo no Conselho de Ética.

“Eu jamais aceitaria ou concordaria com quaisquer tipos de barganha, muito menos aquelas que atentam contra o livre funcionamento das instituições democráticas do meu país, bloqueiam a justiça ou ofendam os princípios morais e éticos que devem governar a vida pública”, afirmou.

Dilma fez o pronunciamento acompanhada de 11 ministros de sete partidos: Jaques Wagner (Casa Civil), Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo), José Eduardo Cardozo (Justiça), Gilberto Occhi (Integração Nacional), Luís Inácio Adams (Advocacia-Geral da União), Aldo Rebelo (Defesa), Armando Monteiro Neto (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), André Figueiredo (Comunicações), Celso Pansera (Ciência e Tecnologia), Henrique Eduardo Alves (Turismo) e Gilberto Kassab (Cidades).

Leia abaixo a íntegra do pronuncimento da presidente Dilma Rousseff:

“No dia de hoje, vocês viram que foi aprovado pelo Congresso Nacional, o proejto de lei que atualiza a meta fiscal, permitindo a continuidade dos serviços públicos fundamentais para todos os brasileiros.

Ainda hoje, eu recebi com indignação a decisão do senhor presidente da Câmara dos Deputados de processar pedido de impeachment contra mandato democraticamente conferido a mim pelo povo brasileiro.

São inconsistentes e improcedentes as razões que fundamentam este pedido. Não existe nenhum ato ilícito praticado por mim. Não paira contra mim nenhuma suspeita de desvio de dinheiro público, não possuo conta no exterior, nem ocultei do conhecimento público a existência de bens pessoais. Nunca coagi, ou tentei coagir instituições ou pessoas na busca de satisfazer meus interesses.

Meu passado e meu presente atestam a minha idoneidade e meu inquestionável compromisso com as leis e a coisa pública.

Nos últimos tempos e, em especial, nos últimos dias, a imprensa noticiou que haveria interesse na barganha dos votos de membros da base governista no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. Em troca, haveria o arquivamento dos pedidos de impeachment.

Eu jamais aceitaria ou concordaria com quaisquer tipos de barganha. Muito menos com aquelas que atentam contra o livre funcionamento das instituições democráticas do meu país, bloqueiam a justiça, ou ofendam os princípios morais e éticos que devem governar a vida pública.

Tenho convicção e absoluta tranquilidade quanto à improcedência desse pedido, bem como, quanto ao seu justo arquivamento. Não podemos deixar as conveniências e os interesses indenfensáveis abalarem a democracia e a estabilidade do nosso país.

Devemos ter tranquilidade e confiar nas nossas instituições e no estado democrático de direito.

Obrigada a todos vocês e muito boa noite!”

Agência Fitch tirou nesta quarta (16) grau de investimento do Brasil. Ministro falou com exclusividade à TV Globo

‘Estou bem à frente do ministério’, diz Levy após rebaixamento de nota

Giovana Teles e Juliana LimaDa TV Globo
No dia em que o Brasil teve a sua nota de crédito rebaixada pela segunda agência de classificação de risco, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse nesta quarta-feira (16) que está “bem” no comando da pasta.
“Estou bem aqui à frente do ministério”, disse Levy em entrevista exclusiva à TV Globo, ao ser questionado se ele pode deixar o governo. “Eu tenho dito que o folhetim, a novela, não é muito importante. O importante é o que a gente está conseguindo fazer para ter um Brasil melhor.”
Logo após o anúncio da Fitch, Levy afirmou que é preciso “partir em defesa do Brasil.” Ele pediu um “esforço de todos os brasileiros” e que o Congresso vote as medidas necessárias do ajuste fiscal para enfrentar a crise.
Na entrevista à TV Globo, o ministro disse que a economia tem desafios a superar em 2016. “Evidentemente qualquer meta vai exigir esforço, trabalho. É um ano que a gente tem que estar muito juntos para superar os desafios que ainda tem pra gente e a gente poder voltar a crescer, poder fazer o que a gente quer fazer.” (veja no vídeo abaixo)
Meta de superávit
O ministro minimizou a importância da redução da meta de superávit para 2016, de 0,7% para 0,5% do PIB. Levy defendia a meta maior, mas o governo decidiu propor uma redução depois que o relator do Orçamento no Congresso, o deputado Ricardo Barros (PP-PR), propôs um corte de R$ 10 bilhões (35%) no Bolsa Família para cumprir a meta de 0,7%.
Essa discussão de meta pra cá, meta pra lá, não é tão importante”
Joaquim Levy, ministro da Fazenda
Nesta quarta, a Comissão Mista de Orçamento (CMO) aprovou a redução da meta de superávit (economia para pagamento de juros da dívida) para 0,5%. Com isso, ao invés de R$ 34 bilhões, o governo federal terá que poupar R$ 24 bilhões em 2016. O orçamento integral do Bolsa Família para o ano que vem ficou garantido.
“Essa discussão de meta pra cá, meta pra lá, não é tão importante. Por duas razões: primeiro que a discussão só vale a pena se você tiver as outras políticas que vão permitir você cumprir a meta. Então, por exemplo, votar as MPs [medidas provisórias] que vão permitir o governo ter dinheiro pra cumprir a meta é importante. Você votar umas mudanças pra diminuir os gastos é importante”, disse Levy.
“Para a gente resolver o Brasil não pode ser unidimensional. Você tem que ter a parte fiscal, que nem qualquer casa de qualquer pessoa, a casa tem que estar em ordem. Mas você também tem que fazer outras mudanças, outras reformas que permitam às empresas crescerem, contratarem, serem mais competitivas, a gente poder batalhar melhor nas exportações”, completou ele.
Questionado se se sentiou enfraquecido com a decisão da presidente Dilma Rousseff de propôr uma meta de superávit menor que a defendida por ele, o ministro negou e comparou a demanda com o mote dos protestos de rua em meados de 2013 ao dizer que “não são os vinte centavos”.
“Não são os vinte centavos. Tem que ter todas as medidas para o Brasil dar certo, não adianta ficar discutindo meta, tentar criar uma confusão”, disse ele. “A gente tem que a cada dia olhar o passo, avaliar e ver se a gente está mais próximo de um Brasil melhor.”
Crise política
Levy disse ainda que incertezas na política e na economia brasileira, entre elas a provocada pelas discussões envolvendo a definição da meta de superávit para 2016, “deixam as pessoas inseguras” e inibem investimentos.
A economia brasileira é uma economia com muito vigor, muita força. Agora, a gente tem que deixar ela trabalhar, né?”
Joaquim Levy, ministro da Fazenda
“Todo mundo que lê o jornal, todo mundo que vê a televisão sabe que tem outras coisas acontecendo no Brasil que têm impacto na economia. Tem incertezas políticas, às vezes também na própria parte de decisões econômicas, essa própria discussão que vocês estavam falando, de meta, tudo isso deixa as pessoas inseguras. Aí, o que acontece? Elas vão investir menos”, disse Levy em entrevista exclusiva à TV Globo.
Para o ministro, a economia brasileira voltará a crescer quando o país superar os problemas políticos.
“Eu acho que, na hora que você supera os problemas políticos, você tem tranquilidade, você tem mais horizonte e aí a economia vai reagir. E eu acho que ela vai reagir rápido e forte porque a economia brasileira é uma economia com muito vigor, muita força. Agora, a gente tem que deixar ela trabalhar, né?”, disse Levy.

Leitura deflagra oficialmente abertura do procedimento para investigar Dilma. Comissão decidirá se processo pelo afastamento deve continuar

Cunha lê decisão de abrir processo de impeachment e cria comissão

Nathalia Passarinho e Fernanda CalgaroDo G1, em Brasília
O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), leu, no plenário da Casa, a decisão de autorizar a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. A leitura deflagra oficialmente o início das investigações que podem resultar no afastamento de Dilma.
Antes disso, o primeiro-secretário da Câmara, deputado Beto Mansur (PRB-SP), fez a leitura do pedido do processo de impeachment, que tinha 65 páginas. A leitura, que começou pouco após as 14h, levou 3 horas e 10 minutos. 
Uma comissão especial foi criada para analisar o mérito das denúncias e proferir parecer pela continuidade ou não do processo.
A decisão de abrir o processo de impeachment foi anunciada nesta quarta-feira (2) porEduardo Cunha, em entrevista coletiva. O peemedebista afirmou que, dos sete pedidos de afastamento que ainda estavam aguardando sua análise, ele deu andamento ao requerimento formulado pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior.
O pedido de Bicudo – um dos fundadores do PT – foi entregue a Cunha em 21 de outubro. Na ocasião, deputados da oposição apresentaram ao presidente da Câmara uma nova versão do requerimento dos dois juristas para incluir as chamadas “pedaladas fiscais”  que teriam sido cometidas pelo governo em 2015. O argumento central é a edição de decretos assinados pela presidente para liberar cerca de R$ 2,5 bilhões, sem autorização do Congresso Nacional, nem previsão no Orçamento de 2015.
“Quanto ao pedido mais comentado por vocês, proferi a decisão com o acolhimento da denúncia. Ele traz a edição de decretos editados em descumprimento com a lei. Consequentemente, mesmo a votação do PLN 5 [projeto de revisão da meta fiscal de 2015] não supre a irregularidade”, disse Cunha em entrevista coletiva na Câmara dos Deputados nesta quarta.
O despacho do peemedebista autorizando a abertura do impeachment ocorreu no mesmo dia em que a bancada do PT na Câmara anunciou que vai votar pela continuidade do processo de cassação de Cunha no Conselho de Ética. Ao longo do dia, Cunha consultou aliados sobre a possibilidade de abrir o processo de afastamento da presidente da República.
À tarde, ele tratou do assunto, em seu gabinete, com deputados de PP, PSC, PMDB, DEM, PR e SD. Segundo parlamentares ouvidos pelo G1, Cunha queria checar se teria apoio dos partidos caso decidisse autorizar o impeachment.
Nos bastidores, aliados do presidente da Câmara mandavam recados ao Palácio do Planalto de que ele iria deflagrar o processo de afastamento da presidente se o Conselho de Ética desse andamento ao processo de quebra de decoro parlamentar que pode cassar o mandato dele.
Argumento central
Segundo Eduardo Cunha, o argumento central que ele considerou ao deflagrar o processo de impeachment foi o fato de Dilma ter editado decretos liberando crédito extraordinário, em 2015, sem o aval do Congresso Nacional. De acordo com o peemedebista, esses decretos que não foram submetidos ao Legislativo somam R$ 12,5 bilhões.
Ela justificou a liberação do dinheiro com suposto excesso de arrecadação. No entanto, o governo precisou reduzir a meta fiscal. Nesta quarta, o Congresso autorizou que o governo tenha um rombo de até R$ 119 bilhões neste ano.
“Nesse particular, entendo que a denúncia oferecida atende aos requisitos mínimos necessários, eis que indicou ao menos seis decretos assinados pela denunciada no exercício financeiro de 2015, em desacordo com a Lei de Diretrizes Orçamentárias e, portanto, sem autorização do Congresso Nacional”, afirmou Cunha, na decisão de autorizar o processo de impeachment.
O presidente destaca, no despacho, que há indícios de participação direta de Dilma no suposto crime de responsabilidade, já que ela própria assinou a liberação de dinheiro não previsto no Orçamento de 2015.
“Importante destacar que os seis decretos apontados foram assinados pela denunciada, o que significa dizer que já indícios suficientes da sua participação direta nessa conduta que, em tese, importa em crime de responsabilidade”, argumenta o peemedebista.
Eduardo Cunha destacou ainda que Dilma agiu, ao liberar o dinheiro, como se a situação financeira do país fosse de superávit (mais receita que despesa), sendo que depois enviou projeto pedindo para reduzir a meta fiscal.
“Também não ignoro ter o Poder Executivo enviado ao Congresso Nacional projeto de lei alterando a meta fiscal de 2015, porém, além de pendente de apreciação, mesmo se for aprovado, não altera a realidade dos fatos: Até o presente momento, o Poder Executivo, comandado pela denunciada, administrou o Orçamento de 2015 como se a situação fosse superavitária, quando o déficit estimado pode chegar a R$ 100 bilhões”, argumenta.
Cunha ressaltou ainda que não autorizaria um pedido baseado apenas nas “pedaladas fiscais” cometidas em 2014, porque, para ele, Dilma não pode sofrer impeachment por atos cometidos num mandato anterior.
“Os fatos e atos supostamente praticados pela denunciada em relação a essa questão [atraso de pagamento a bancos públicos] são anteriores ao atual mandato. Assim, com todo respeito às opiniões contrárias considero inafastável a aplicação do § 4º do artigo 86 da Constituição Federal, o qual estabelece não ser possível a responsabilização da presidente da República por atos anteriores ao mandato vigente”, disse o presidente da Câmara.

Presidente da Câmara informou que acolheu pedido do jurista Hélio Bicudo. Peemedebista também criou comissão especial que analisará impeachment

Eduardo Cunha autoriza abrir processo de impeachment de Dilma

Nathalia PassarinhoDo G1, em Brasília
O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, informou nesta quarta-feira (2) que autorizou a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. O peemedebista afirmou que, dos sete pedidos de afastamento que ainda estavam aguardando sua análise, ele deu andamento ao requerimento formulado pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior.
O pedido de Bicudo – um dos fundadores do PT – foi entregue a Cunha em 21 de outubro. Na ocasião, deputados da oposição apresentaram ao presidente da Câmara uma nova versão do requerimento dos dois juristas para incluir as chamadas “pedaladas fiscais” do governo em 2015, como é chamada a prática de atrasar repasses a bancos públicos a fim de cumprir as metas parciais da previsão orçamentária. A manobra fiscal foi reprovadapelo Tribunal de Contas da União (TCU).
Na representação, os autores do pedido de afastamento também alegaram que a chefe do Executivo descumpriu a Lei de Responsabilidade Fiscal ao ter editado decretos liberando crédito extraordinário, em 2015, sem o aval do Congresso Nacional.
“Quanto ao pedido mais comentado por vocês, proferi a decisão com o acolhimento da denúncia. Ele traz a edição de decretos editados em descumprimento com a lei. Consequentemente, mesmo a votação do PLN 5 [projeto de revisão da meta fiscal de 2015] não supre a irregularidade”, disse Cunha em entrevista coletiva na Câmara dos Deputados no início da noite desta quarta.
Resposta de Dilma
A presidente Dilma negou, em pronuncimento, “atos ilícitos” em sua gestão e afirmou que recebeu com “indignação” a decisão do peemedebista. A declaração ocorreu no Salão Leste do Palácio do Planalto, que durou cerca de três minutos.
“Hoje [quarta] eu recebi com indignação a decisão do senhor presidente da Câmara dos Deputados de processar pedido de impeachment contra mandato democraticamente conferido a mim pelo povo brasileiro”, disse Dilma, em pronunciamento no Palácio do Planalto.
“São inconsistentes e improcedentes as razões que fundamentam esse pedido. Não existe nenhum ato ilícito praticado por mim, não paira contra mim nenhuma suspeita de desvio de dinheiro público”, acrescentou.

Ao deixar a Câmara na noite desta quarta, o presidente da Câmara afirmou que não comentaria as declarações da presidente Dilma Rousseff. “Eu não vou comentar. Cada um tem sua maneira de… Eu fui bastante zeloso nas minhas palavras”, disse.

Ele afirmou ainda que marcou para às 11h30 desta quinta (2) reunião com líderes partidários para discutir procedimentos do processo de impeachment de Dilma. “Marquei reunião às 11h30 para falar da questão como um todo”, disse.
Dilma diz que não "existe nenhum ato ilícito" praticado por ela (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)
Cassação no Conselho de Ética
O despacho do peemedebista autorizando a abertura do impeachment ocorreu no mesmo dia em que a bancada do PT na Câmara anunciou que vai votar pela continuidade do processo de cassação de Cunha no Conselho de Ética. Ao longo do dia, Cunha consultou aliados sobre a possibilidade de abrir o processo de afastamento da presidente da República.
À tarde, ele tratou do assunto, em seu gabinete, com deputados de PPPSCPMDB, DEM, PR e SD. Segundo parlamentares ouvidos pelo G1, Cunha queria checar se teria apoio dos partidos caso decidisse autorizar o impeachment.
Nos bastidores, aliados do presidente da Câmara mandavam recados ao Palácio do Planalto de que ele iria deflagrar o processo de afastamento da presidente se o Conselho de Ética desse andamento ao processo de quebra de decoro parlamentar que pode cassar o mandato dele.
Justificativa de Cunha
Ao justificar a decisão de abrir o processo de impeachment, Eduardo Cunha alegou que o argumento central que ele considerou foi o fato de Dilma ter editado decretos liberando crédito extraordinário, em 2015, sem o aval do Congresso Nacional. De acordo com o peemedebista, esses decretos, que não foram submetidos ao Legislativo, somam R$ 12,5 bilhões.
“Nesse particular, entendo que a denúncia oferecida atende aos requisitos mínimos necessários, eis que indicou ao menos seis decretos assinados pela denunciada no exercício financeiro de 2015, em desacordo com a Lei de Diretrizes Orçamentárias e, portanto, sem autorização do Congresso Nacional”, afirmou Cunha, na decisão de autorizar o processo de impeachment.
O presidente destaca, no despacho, que há indícios de participação direta de Dilma no suposto crime de responsabilidade, já que ela própria assinou a liberação de dinheiro não previsto no Orçamento de 2015.
Eduardo Cunha diz que nunca um mandato recebeu tantos pedidos para abertura de processo de impeachment (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)
“Importante destacar que os seis decretos apontados foram assinados pela denunciada, o que significa dizer que já indícios suficientes da sua participação direta nessa conduta que, em tese, importa em crime de responsabilidade”, argumenta o peemedebista.
Eduardo Cunha destacou ainda que Dilma agiu, ao liberar o dinheiro, como se a situação financeira do país fosse de superávit (mais receita que despesa), sendo que depois enviou projeto pedindo para reduzir a meta fiscal.
“Também não ignoro ter o Poder Executivo enviado ao Congresso Nacional projeto de lei alterando a meta fiscal de 2015, porém, além de pendente de apreciação, mesmo se for aprovado, não altera a realidade dos fatos: Até o presente momento, o Poder Executivo, comandado pela denunciada, administrou o Orçamento de 2015 como se a situação fosse superavitária, quando o déficit estimado pode chegar a R$ 100 bilhões”, argumenta.
Cunha ressaltou ainda que não autorizaria um pedido baseado apenas nas “pedaladas fiscais” cometidas em 2014, porque, para ele Dilma não pode sofrer impeachment por atos cometidos num mandato anterior.
“Os fatos e atos supostamente praticados pela denunciada em relação a essa questão [atraso de pagamento a bancos públicos] são anteriores ao atual mandato. Assim, com todo respeito às opiniões contrárias considero inafastável a aplicação do § 4º do artigo 86 da Constituição Federal, o qual estabelece não ser possível a responsabilização da presidente da República por atos anteriores ao mandato vigente”, disse o presidente da Câmara.
Comissão especial
Com a ordem de Cunha, será criada uma comissão especial na Câmara com 66 deputados titulares e o mesmo número de suplentes. O grupo será responsável pela elaboração de um parecer pelo prosseguimento ou arquivamento do processo de impeachment. O relatório terá de ser apreciado pelo plenário principal da Casa.
Os parlamentares serão escolhidos de acordo com a proporcionalidade das bancadas na Câmara. Será obrigatório assegurar a participação de representantes de todas legendas e blocos que compõem a Casa.
Para ser aprovado, o parecer dependerá do apoio de, pelo menos, dois terços dos 513 deputados (342 votos). Se os parlamentares decidirem pela abertura do processo de  impeachment, Dilma será obrigada a se afastar do cargo por 180 dias, e o processo seguirá para julgamento do Senado.
Na entrevista coletiva desta quarta, Cunha confirmou que já havia autorizado a criação da comissão especial.
“Não falei com ninguém do Palácio. É uma decisão de muita reflexão, de muita dificuldade. […] Não quis ocupar a presidência da Câmara para ser o protagonista da aceitação de um pedido de impeachment. Não era esse o meu objetivo. Mas, repito, nunca, na história de um mandato houve tantos pedidos de impeachment como neste mandato”, ressaltou o peemedebista.
No despacho que determinou a criação da comissão especial, que se baseou nos termos do § 2º do art. 218 do regimento interno da Câmara, Cunha ressaltou que Dilma será investigada pela prática de suposto crime de responsabilidade.

APOCALIPSE DE JESUS – ALZIRO ZARUR – 1967 A IMPORTÂNCIA DO APOCALIPSE (continuação)



    O autor do Apocalipse é o próprio JESUS, que se utilizou de João Evangelista para nos legar a GRANDE REVELAÇÃO DO FIM DOS TEMPOS. E por quê? Porque deseja alertar a Humanidade, que DEUS lhe confiou, para os acontecimentos que vêm ali adiante, para fechar um ciclo histórico iniciado a quase dois mil anos. Dentro da Lei da Causa e Efeito, o que todos semearam (a semeadura foi livre) terão fatalmente de colher, porque a colheita é obrigatória, como defini: A LEI DIVINA, JULGANDO O PASSADO, DETERMINA O FUTURO. Mas, ainda assim, sem infringir a Lei de DEUS (destino e livre arbítrio coexistem) JESUS quer suavizar o choque de retorno, que atingirá a todos eles. Somente os escolhidos serão poupados, isto é, aqueles que se fizeram escolhidos pelo seu merecimento: pela graça, pela fé e pelas obras. Estes não temem o Apocalipse. Todos os cristãos verdadeiros veneram esta Obra. Não sabem nem podem mais viver sem ela, em todos os momentos da vida: é que o Apocalipse explica tudo o que falta saber, nestes dias de angustiosaexpectativa. Ao contrário do que pensam os escarnecedores, só o Apocalipse, tranquiliza os Homens e Mulheres de Boa Vontade, porque lhes dá a certeza da ONIPRESENÇA DE DEUS, amparando aqueles que cumprem seus Dez Mandamentos no único Mandamento do Filho Unigênito. E (diz o Evangelista-Profeta) DE TAL MANEIRA AMOU DEUS AO MUNDO QUE LHE DEU SEU FILHO UNIGÊNITO, PARA QUE TODO AQUELE QUE NELE CRÊ NÃO PEREÇA, MAS TENHA A VIDA ETERNA.

A tecnologia evoluiu – por que continuamos trabalhando como no século passado?

Mesmo com o desenvolvimento tecnológico e o aumento de produtividade, continuamos com a mesma rotina da época de nossos pais. Mas quais mudanças são necessárias para que nosso trabalho acompanhe as evoluções deste século?

 (Foto: Revista Galileu)
Se você compartilha a ideia de que há pouca diferença entre caminhar sobre espinhos e brasa quente e acordar na segunda-feira para mais uma semana de expediente, não se sinta mal: a palavra “trabalho” tem origem no latim tripalium, nome dado a um instrumento de tortura utilizado para punir escravos desobedientes.
De lá para cá, pensadores de diferentes épocas e ideologias observavam o esforço de camponeses, artesãos e operários e davam a maior força para eles — filosoficamente, é claro. “O trabalho poupa-nos de três grandes males: tédio, vício e necessidade”, dizia o iluminista francês Voltaire. Já o alemão Karl Marx considerava que a produção material era responsável por cimentar os diferentes aspectos de uma sociedade, incluindo a própria concepção de identidade dos seres humanos. Hoje, ao mesmo tempo que a automatização de processos permitiu o aumento de produtividade, ainda convivemos com questões de décadas passadas, como longas jornadas de trabalho, insatisfação com o cotidiano das cidades e a ameaça do desemprego. Governos e empresas têm papel central nessa discussão, mas a busca por mudanças também parte das novas gerações, que desejam algo além do expediente das nove às 18 horas. 
Trabalhadores do mundo, uni-vos!
NA PRESSÃO
Aumenta número de brasileiros insatisfeitos 
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) estimam que 7% da população mundial — ou 400 milhões de pes­soas — sofrem de depressão. No Brasil, a doen­ça está na 13ª colocação entre as principais causas que provocam afastamento do trabalho, de acordo com dados de 2015 do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). Na cidade de São Paulo, a depressão é o terceiro maior motivo que afeta a saúde do trabalhador. “Os problemas são motivados por longas jornadas de trabalho e excesso de tarefas”, diz a psicóloga Ana Maria Rossi, presidente do Isma-BR (International Stress Management Association).
Em abril deste ano, o instituto, especializado no estudo e no tratamento do stress, divulgou uma pesquisa realizada com mais de mil profissionais de Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo a respeito da qualidade de vida no trabalho. Os resultados indicam que em diferentes segmentos o índice de insatisfação chega a 72% dos entrevistados. “As pessoas não conseguem dar conta das atividades exigidas pelas empresas, e isso desequilibra a vida profissional e pessoal, o que leva a má alimentação, menos tempo de sono e falta de atividades físicas”, diz Ana Maria. Para Luciana Caletti, CEO da empresa brasileira Love Mondays, plataforma on-line feita para que funcionários avaliem anonimamente suas empresas, aspectos como salário baixo e falta de reconhecimento dos chefes são algumas das principais reclamações: “Com a crise econômica, a perspectiva de trocar de emprego caiu bastante, assim como a expectativa de aumento salarial.”
 (Foto: Revista Galileu)

 
EXPEDIENTE PUXADO
Brasil tem uma das maiores jornadas semanais de trabalho do mundo
 (Foto: Revista Galileu)
O automóvel Ford T, produzido em 1913, revolucionou o capitalismo mundial ao introduzir linhas de montagem capazes de diminuir o tempo de fabricação dos veículos de 12 horas para apenas 90 minutos, o que possibilitou a diminuição dos preços e a massificação do produto. Hoje, fábricas como a da Hyundai, na cidade sul-coreana de Ulsan, são capazes de rolar da linha de produção novos carros a cada 12 segundos, graças à robotização de parte dos processos. Mas, se é verdade que as 16 horas diárias de expediente dos tempos da Revolução Industrial ficaram para trás, ainda gastamos boa parte de nosso dia no trabalho. “O Brasil tem uma das maiores jornadas de trabalho legais do mundo, com a possibilidade irrestrita de horas extras”, diz Cássio Calvete, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (­UFRGS) e especialista no assunto. Em 1988, com a nova Constituição, os legisladores ajustaram pela última vez a jornada de trabalho, que caiu de 48 para 44 horas semanais. “O aumento da produtividade permitiria a redução das horas trabalhadas, mas isso não acontece por conta das empresas, que desejam lucros cada vez maiores”, afirma Calvete.
 (Foto: Revista Galileu)
MAPA DA VERGONHA
Levantamento feito pela organização Walking Free Foundation indica que milhões de pessoas ainda vivem em condições semelhantes à escravidão
O QUE É ESCRAVIDÃO MODERNA: Os organizadores da pesquisa consideram que um ser humano vive em condições análogas à escravidão quando tem sua liberdade restringida por outra pessoa, com a intenção de explorá-la. Tráfico humano e exploração sexual também fazem parte desse conceito.
clique na imagem para ampliá-la (Foto: Revista Galileu)CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIÁ-LA (FOTO: REVISTA GALILEU)
NO OLHO DO FURACÃO
Em meio à grave crise econômica, decisões políticas afetam o futuro dos trabalhadores
Os últimos dados do IBGE indicam que 8,2 milhões de brasileiros estão desempregados. A desaceleração econômica deste ano, responsável por liquidar 240 mil postos de trabalho, motivou o governo federal a criar o Programa de Proteção ao Emprego, que propõe a redução temporária de até 30% das jornadas de trabalho de setores produtivos fragilizados, com diminuição proporcional da remuneração dos funcionários.
A medida, que espera poupar pelo menos 50 mil empregos, não é a única discussão travada entre governo, empresários e trabalhadores. Em abril, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que amplia a terceirização, permitindo às empresas subcontratar todos os seus serviços. “Isso permitirá o aumento da rotatividade de empregos, a diminuição de salários e a precarização do mercado de trabalho”, afirma o professor Cássio Calvete. O projeto, criticado pelas principais centrais sindicais do país, será votado agora no Senado. Outra questão política diz respeito à discussão da previdência social: de acordo com dados das Nações Unidas, até 2050 o Brasil terá 22,5% de idosos em sua população, o que faz o país repensar seu atual modelo de aposentadoria. “Com essa tendência, teremos cada vez mais beneficiários e menos contribuintes”, diz Ana Amélia Camarano, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Em junho, a presidente Dilma Rousseff sancionou uma medida provisória para um novo cálculo da aposentadoria, baseado na soma de idade do contribuinte com o tempo trabalhado. Inicialmente, mulheres poderão pedir a aposentadoria quando a soma chegar a 85, e homens, a 95.
VOCÊ É O CHEFE
Mais jovens decidem empreender, mas o caminho para o sucesso não é fácil
Reunir alguns amigos de faculdade, escrever linhas de código, criar um aplicativo ou serviço de internet inovador e faturar alguns bilhões de dólares em pouco tempo. Com a massificação da tecnologia, criar grandes negócios a partir do zero não é mais uma realidade tão distante para jovens empreendedores de diferentes partes do mundo. “Um empreendedor pensa incansavelmente em melhorar algo. Mas, se antes era necessário construir uma fábrica, hoje o aumento da capacidade produtiva permite adaptar ideias de maneira rápida e sem mobilizar muito capital”, afirma Newton Campos, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e especialista em startups, nome dado às empresas de tecnologia que propõem métodos horizontalizados e menos engessados de organização corporativa. No Brasil, cada vez mais jovens estão dispostos a deixar de seguir uma carreira formal para criar o próprio negócio: dados da Associação Brasileira de Startups registram 3.515 jovens empresas cadastradas em seu banco de dados. Mas um levantamento realizado pela escola de negócios Fundação Dom Cabral indica uma realidade difícil: 25% das startups fecham as portas antes de completar um ano de vida, e metade delas encerra suas atividades em menos de quatro anos.
 (Foto: Revista Galileu)
PARA DESAFOGAR AS CIDADES
Distribuição de postos de trabalho e mudanças de rotina ajudariam a resolver até problemas urbanos
Não é preciso ser um grande observador para perceber que as principais cidades brasileiras precisam resolver em caráter de urgência a questão da mobilidade urbana. São Paulo e Rio de Janeiro são líderes mundiais no tempo de deslocamento da residência para o trabalho — 42,8 e 42,6 minutos, respectivamente. “Os postos de trabalho estão concentrados em regiões centrais e afastados da periferia, obrigando o trabalhador a percorrer uma grande distância em um sistema de transporte que não é integrado”, afirma Vitor Mihessen, que realizou um estudo sobre mobilidade urbana e mercado de trabalho no Rio de Janeiro em pesquisa da Universidade Federal Fluminense (UFF).
“As empresas também têm um papel fundamental nessa questão, porque já temos o aparato tecnológico para trabalhar a distância, além de mudar horários de expediente para conseguir uma fluidez melhor no trânsito”, diz. Para Giancarlo Bonansea, líder de inovação digital da consultora Accenture, as companhias devem se adaptar a essa flexibilização, sob o risco de perder jovens funcionários que não concordam com modelos rígidos de expediente. “Se é possível contratar parceiros que prestam serviços remotos a partir de outros países, por que não agir da mesma maneira com os profissionais da sua empresa?”, questiona o especialista. “Há um receio plausível sobre se o profissional estará produzindo ou não, mas o que se deve considerar é o resultado final do trabalho entregue.”
 (Foto: Revista Galileu)
 (Foto: Revista Galileu)

Nove maneiras de melhorar sua vida cotidiana

Apesar das interações rápidas representarem uma enorme parte de nossas vidas, não damos a elas a atenção que merecem. Conheça maneiras de melhorar estes breves — mas cruciais — relacionamentos sociais

 (Foto: Rafael Sica)(FOTO: RAFAEL SICA)
Todos os dias, participamos de centenas de interações que parecem insignificantes. A conversa no café, o almoço com colegas, o cumprimento no elevador. Quase nunca pensamos a respeito, não é? Não se sinta mal. Apesar da falta de reflexão que dedicamos a esses encontros cotidianos, muitos pesquisadores tratam o assunto a sério. Para eles, até mesmo os “olás” mais breves podem ter efeitos significativos no que pensamos e sentimos e na maneira como nos comportamos.
Os psicólogos sociais estão no batalhão da frente da teoria. Depois de explorarem diversas atividades cotidianas, eles reuniram evidências que indicam que podemos ter uma vida bem melhor se dermos mais atenção aos atos prosaicos. Afirmam que se aplicarmos uma série de informações de estudos recentes aos pequenos desafios, podemos reduzir bastante nosso estresse e obtermos mais sucesso.
A chave está nos encontros sociais bem-sucedidos. Segundo os estudos, devemos criar um espaço para o ponto de vista do respondente — ou até mesmo o antecipar. Isso significa que se queremos alguma coisa de outra pessoa (amizade, aceitação, perdão), precisamos considerar sua mentalidade em nossos pedidos. A seguir, algumas dicas valiosas que a ciência comportamental ensina para melhorar sua convivência com os outros.
 (Foto: Rafael Sica)(FOTO: RAFAEL SICA)
01 > COMO OBTER UMA RESPOSTA HONESTA
Você vai comprar um carro usado, mudar de apartamento ou determinar qual médico deve tratá-lo. São nesses momentos que você precisa ir direto ao cerne da questão.
Fazer perguntas genéricas não gera informações úteis e pode levar a respostas enganosas, diz Julia Minson, pesquisadora de Ciências da Decisão da Universidade da Pensilvânia. Melhor apostar em sondagens que partem do princípio de que há problemas.
Digamos que alguém está vendendo um iPod usado. Uma pergunta genérica seria “o que você pode me dizer sobre ele?” Uma pergunta de premissa positiva seria “ele não tem nenhum problema, certo?”, mas uma pergunta de premissa negativa, como “quais problemas você teve com ele?”, obtém a resposta mais honesta, segundo o estudo de Minson e Maurice Schweitzer. Em uma pesquisa que avaliou interações diante de vendas falsas, 87% dos vendedores alertaram o comprador sobre problemas quando este utilizou uma pergunta de premissa negativa, versus 59% daqueles respondendo a uma pergunta de premissa positiva e 10% de quem respondia a uma pergunta genérica.
Quando quiser ouvir a verdade e nada mais que a verdade, nua e crua, você precisa perguntar por ela. Dependendo da situação, para obter a resposta mais honesta, pode ser preciso adicionar uma oferta de confidencialidade.
02 > APRENDENDO A CRITICAR
Ninguém gosta de ouvir que fez algo errado, e é por isso que mesmo as “críticas construtivas” são recebidas com uma postura defensiva. Assim, a psicóloga Susan Heitler recomenda feedback que “pula a fase da reclamação e vai direto às explicações”.
Vamos a um exemplo cotidiano, de cozinha.  Ao observar alguém preparar um almoço de maneira pouco eficaz, em vez de dizer “não é assim que se frita na manteiga, as batatas vão ficar secas”, ofereça dicas úteis. Prefira algo como: “Se você começar com uma frigideira quente, vai ser mais fácil perceber quando as batatas estão prontas…”, e por aí vai.
Para os pais, a mesma abordagem se aplica ao trabalho doméstico e aos deveres. Escolha frases encorajadoras, não ordens ríspidas, aconselha Heitler. “Diga o que você gostaria que seu filho fizesse em vez de apontar o que fez de errado.” As críticas são o fator mais determinante na percepção dos filhos sobre a relação com os pais. É importante oferecer críticas sem depreciar ou humilhar.
Há cada vez mais evidências de que as críticas podem ser prejudiciais a todos os relacionamentos e à saúde mental do indivíduo. Os seres humanos são criaturas sociais e a maneira como nos expressamos pode ser muito poderosa. Tomar cuidado com o modo como expressamos uma ideia é um jeito de honrar e proteger os relacionamentos.
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03 > MANUAL DO ELOGIO SINCERO
Um belo elogio pode ser um motivador poderoso, mas apenas se você ressaltar as qualidades certas. Elogiar a capacidade de alguém se esforçar funciona melhor do que simplesmente exaltar seu brilhantismo. Pesquisas mostram que crianças elogiadas por sua inteligência se esforçam menos em tarefas futuras. Louvar a inteligência produz a crença de que tudo deve ser natural e, quando isso não acontece, as crianças pensam que não são mais espertas, ou então escolhem o caminho mais fácil para que não descubram que são “fraudes”.
Segundo a psicóloga Heidi Grant Halvorson, diretora associada do Motivation Science Center da Universidade de Colúmbia, o ideal seria ajudar a pessoa a pensar positivamente — e com realismo — sobre alcançar seus objetivos ao mesmo tempo que se elogia seu esforço. Quando são elogiados por sua persistência, aqueles que acreditam que o caminho pela frente será difícil se esforçam mais.
O modo como o elogio é apresentado conta tanto quanto o elemento sendo enaltecido. A exaltação deve ser específica e sincera. Além disso, deve ser oferecida generosamente, em especial no escritório.
Os trabalhadores que foram solicitados a aprender uma tarefa foram melhores sucedidos depois de terem sido elogiados no início da nova atividade, conforme constatou uma pesquisa realizada no Japão. Para o cérebro humano, receber um elogio é uma recompensa social tão válida quanto ganhar dinheiro.
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04 > COMO PEDIR A UM AMIGO QUE BEBA OU COMA MENOS
Expressar preocupação com o consumo de álcool ou comida de um amigo é uma conversa ultradelicada. As conversas mais eficazes começam com a empatia ativa, afirma William Miller, professor emérito de psicologia e psiquiatria da Universidade do Novo México. O confronto leva apenas à negação.
Junto do colega Stephen Rollnick, Miller descobriu que é essencial trabalhar a motivação intrínseca da pessoa. As técnicas de conversação incluem fazer perguntas abertas (“o que você acha da sua saúde atual?”, “que tipos de atividades você gosta que não envolvem comer/beber?”), oferecer afirmações (“parece que você gostaria de melhorar o autocontrole”), usar escuta reflexiva e formular frases de resumo.
Um componente essencial do incremento motivacional é ajudar a pessoa a reconhecer a diferença entre o que ela diz que deseja da vida e o modo em que vive hoje: “De que maneiras beber todas as noites interfere com outras coisas que você gostaria de fazer?” A pergunta permite que a pessoa elabore suas próprias soluções e também suas próprias motivações.
05 > TENHA O PODER DA PERSUASÃO
O clima político polarizado sugere que é impossível convencer os outros, pois todos já estão decididos. Mas se isso fosse verdade, todosos vendedores, advogados e terapeutas estariam desempregados.
Na verdade, muitos de nós persuadimos os outros em nosso cotidiano, convencendo-os a comprar bens e serviços que ignorariam em condições normais.
Quando quiser mudar o humor, a ideia ou a disposição de uma pessoa, não se pergunte “como posso ganhar essa discussão?” Em vez disso, pergunte-se “como posso fazer com que ele concorde comigo sem irritá-lo?”
É isso que ensina Jay Heinrichs, especialista em retórica e autor de livros sobre o assunto. “Nunca discuta o indiscutível”, afirma. “Em vez disso, concentre-se nos objetivos.”
Controle o clima com volume, tom e histórias. Fique atento aos momentos persuasíveis. E, acima de tudo, conquiste o acordo e seja agradável: expresse semelhanças e valores compartilhados. Mostre ao seu interlocutor que está cuidando dos interesses dele também, não apenas de seu próprio.
06 > BONS MODOS DE ACEITAR ELOGIOS
Quando a pergunta é “qual a resposta adequada para um elogio?”, a resposta quase sempre é “dizer ‘obrigado’”. Na verdade, ao receber um elogio, apenas um terço das pessoas o aceitam com tanta simplicidade e harmonia, revela o linguista Robert Herbert, da BinghamtonUniversity.
E não, as mulheres não são piores do que os homens em aceitar elogios. É o gênero de quem transmite a mensagem que mais influencia a resposta. Ambos os sexos têm maior probabilidade de aceitar um elogio dado por um homem do que por uma mulher. Quando um homem diz “bonito xale”, a mulher tende a responder de maneira afirmativa: “obrigado, minha irmã tricotou para mim”.
Mas quando uma mulher diz para outra sobre o “moletom lindo!”, a resposta mais provável é contestar: “Estava em promoção no mercado e nem tinham a cor que eu queria”. Uma resposta como essa, cujo objetivo é fazer com que a elogiadora ache que a elogiada não é orgulhosa, só faz com que a primeira se sinta deslocada ou invalidada.
Segundo Herbert, o melhor é fazer um comentário relevante relacionado (“Obrigado, tambémé meu favorito”). Mas nada supera um sorriso, olhar o elogiador nos olhos e dizer “obrigado”.
 (Foto: Rafael Sica)(FOTO: RAFAEL SICA)
07 > COMO JOGAR CONVERSA FORA
“Só porque você salta de uma bateria dando uma voadora enquanto toca um riff de guitarra faz que todos esperem que você seja extrovertido socialmente”, conta Alex Kapranos, líder da banda indie Franz Ferdinand. “Mas não fico à vontade com a ideia de jogar conversa fora em uma festa.” Kapranos não está só: 40% da população se encaixa nessa categoria, observa Bernardo Carducci, diretor do ShynessResearchInstitute na Indiana UniversitySoutheast.
Carducci considera jogar conversa fora a “pedra fundamental da civilidade”, pois abre caminho para conversas maiores. Ele sugere que você busque um objeto ou atue como anfitrião, apresentando as pessoas umas às outras.
Como tudo mais, as conversas superficiais vão ficando mais fáceis à medida que você participa de mais delas. Comece com as pessoas que estão levando seus cachorros para passear na vizinhança, passe para reuniõezinhas e logo você conseguirá animar o escritório.
Carducci tem cinco regras fundamentais: seja simpático; mantenha suas falas de abertura simples e pense em sua apresentação de antemão (seu nome e informações sobre si mesmo que podem dar início à conversa depois); junte-se a conversas no meio, estendendo ou ampliando o tema da discussão ou introduzindo novos tópicos, possivelmente usando notícias recentes; encerre dizendo “preciso conversar com Fulano, mas foi um prazer conhecê-lo”; e resuma a conversa para que seu interlocutor saiba que você estava prestando atenção nele.
Não cometa o erro de falar do mesmo assunto por muito tempo. A conversa não é “jogada fora” por acaso. Imagine que é um aperitivo de conversa, com cada tópico a ser apenas experimentado e saboreado.
08 > SAIBA PEDIR DESCULPAS
As palavras que você usa quando pede desculpas são menos importantes do que o ato de se desculpar. É o que diz o psicólogo social Steven Scher, da Eastern Illinois University. Ele identificou os cinco elementos principais dos pedidos de desculpas: uma expressão de arrependimento (“desculpa”, “foi mal”); uma explicação ou narrativa da causa que levou à violação (“esqueci de ligar com as informações”); uma expressão da responsabilidade do falante pela ofensa (“o que fiz foi errado”); uma promessa de clemência (“nunca vai acontecer de novo”); e oferta de consertar a situação (“tem como compensar o que fiz?”).
Todos os pedidos parecem aumentar a designação de culpa, mas tendem também a reduzir as sanções contra o transgressor e as avaliações negativas dele. A maioria dos pedidos reduz a raiva da vítima, apesar desse efeito variar com o nível da ofensa.
As mulheres pedem desculpas com mais frequência do que os homens, sim. Não pelos motivos que você imagina, contam os psicólogos sociais Karina Schumann e Michael Ross, da Universityof Waterloo em Ontário, Canadá. “Homens pedem desculpas com menos frequência que as mulheres porque têm um limite mais elevado do que constitui um comportamento ofensivo.”
 (Foto: Rafael Sica)(FOTO: RAFAEL SICA)
09 > RECLAME SEM PERDER A COMPOSTURA
Uma reclamação de sucesso se resume a ser simpático e nunca aceitar menos do que você acredita ser justo. Primeiro, determine o que você quer como compensação e descubra quem tem a capacidade de atendê-lo. Comece com algo agradável (“este é um dos meus restaurantes favoritos”) para impedir que o alvo da reclamação se sinta atacado. A seguir, faça a reclamação ou pedido: “Mas hoje meu pão estava queimado. Você podia trazer outro, mais macio?” E depois complete com uma afirmação de sua gratidão pela ajuda recebida.

A desconstrução da escola

Estudar em qualquer lugar, não apenas nas salas de aula, monitorar como absorvemos o conhecimento e permitir que o ensino seja cada vez mais customizado. Como a análise de dados, a computação por nuvem e a robótica estão mudando a forma como aprendemos

 (Foto: Samuel Rodrigues/Editora Globo)(IMAGEM: SAMUEL RODRIGUES/EDITORA GLOBO)
Na escola Minddrive, na cidade norte-americana de Kansas City, um grupo de 20 alunos desenvolveu um carro adaptado de um modelo antigo para ser movido por eletricidade e abastecido pelas redes sociais. O veículo, um Karmann Ghia ano 1967, ganhou um motor elétrico e monitora os movimentos da rede via wireless. Para cada novo seguidor do Twitter, recebe cinco watts de combustível. Um like no Facebook ou no Instagram vale um watt. Os estudantes tiveram a ideia durante a aula de Estudos Criativos e Empreendedorismo e contaram com a ajuda dos professores de física e matemática para colocar a iniciativa em prática: as leis da física usadas para a conversão do sistema de combustão para elétrico, e os conceitos de matemática empregados na programação do computador de bordo do veículo.
A Minddrive se propõe a oferecer atividades extracurriculares de reforço, que incentivem a criatividade dos garotos e os preparem para a vida no mercado de trabalho. “Os alunos começaram desenvolvendo protótipos menores, até que perceberam que o projeto era viável e podia funcionar nas estradas”, diz o CEO da instituição, Steve Rees. Ao permitir que os alunos escolhessem qual projeto queriam levar adiante, os professores tiveram que adaptar as aulas para passar ao grupo os conhecimentos necessários para fazer o automóvel sair do papel. “Para colocar o carro funcionando naprática, foi preciso aprender ou revisar conceitos de aerodinâmica, mecânica e cálculo”, afirma Rees.
Graças, principalmente, a iniciativas como essa, o ensino tal qual conhecemos — pré-programado desde o jardim de infância — está passando por mudanças. Tudo para permitir que o aluno, antes apenas um espectador, participe mais ativamente da forma como absorve conhecimento. “A tecnologia aumentou não só a quantidade de informações disponíveis, mas transformou as opções para onde e quando aprender. A educação ficou mais acessível, para todos os perfis”, explica Rees. Duas décadas atrás, segundo ele, o ensino só funcionava para o modelo de aluno que aprende com facilidade quando ouve o professor e lê os livros didáticos. Hoje existem dezenas de outras combinações de técnicas e tecnologias acessíveis, seja usando um tablet para pesquisar dados de um artista visto num museu, seja assistindo a vídeos no conforto de casa.
EDUCAÇÃO DIRIGIDA: Na escola Minddrive, em Kansas City, alunos transformaram um Karmann Ghia em um carro elétrico movido a likes nas redes sociais (Foto: Divulgação)EDUCAÇÃO DIRIGIDA: NA ESCOLA MINDDRIVE, EM KANSAS CITY, ALUNOS TRANSFORMARAM UM KARMANN GHIA EM UM CARRO ELÉTRICO MOVIDO A LIKES NAS REDES SOCIAIS (FOTO: DIVULGAÇÃO)
A análise de dados em tempo real vai permitir que os educadores (e também os pais) acompanhem com muito mais precisão o processo de aprendizagem de seus alunos, que tende a ser cada vez mais personalizado. Quando as atividades são realizadas em telas conectadas à rede, por exemplo, o professor pode avaliar não só quais questões cada aluno não conseguiu resolver, mas também aquelas que tomaram mais tempo, os sinais de dificuldade, quais assuntos ou temas ele tem melhor domínio.  A comunicação por nuvem vai contribuir para um sistema de ensino que não acaba na sala de aula ou na lição de casa: celulares, tablets e paredes holográficas vão possibilitar interações de alunos e professores em qualquer hora, em qualquer lugar. O aluno terá a chance de estudar de acordo com a sua própria necessidade. E também irá aprender o tempo todo.
O advento da inteligência artificial também vai garantir uma forma de conhecimento que nunca experimentamos, expandindo os limites do aprendizado a ponto de crianças lidarem com máquinas inteligentes desde a infância e terem aulas inclusive para aprender a conviver com robôs. O futuro da educação já começou. Seja nos Estados Unidos, no Brasil ou na Índia, como você vai ver nos diversos exemplos reunidos nestas páginas, as escolas já estão incorporando as novas tecnologias e mudando suas práticas de ensino para preparar novos cidadãos capazes de competir no mundo no século 21. E novos alunos dispostos a aprender da maneira que quiserem —ou necessitarem.
CONECTADOS PELO ENSINO: Na África do Sul, alunos acompanham videoaulas da Khan Academyjá vistas  200 milhões de vezes no mundo todo (Foto: Gareth Smit/ Divulgação)CONECTADOS PELO ENSINO: NA ÁFRICA DO SUL, ALUNOS ACOMPANHAM VIDEOAULAS DA KHAN ACADEMYJÁ VISTAS 200 MILHÕES DE VEZES NO MUNDO TODO (FOTO: GARETH SMIT/ DIVULGAÇÃO)
MUDANDO OS PADRÕES
“Em um passado recente, as escolas tinham a tarefa básica de transformar crianças em adultos capazes de três tarefas fundamentais para o mundo do trabalho: ler, escrever e fazer contas básicas. Estas atividades agora estão muito longe de serem suficientes”, explica MeghnaPatel, da Riverside School. Algumas escolas pioneiras mudaram o modelo-padrão das aulas. Elas diminuíram a quantidade de horas em que o professor fala sozinho e inseriram atividades organizadas na forma de projetos, com interação dos alunos.
Grupos pequenos, formados até mesmo por estudantes de séries diferentes, se organizam para cumprir tarefas criativas, com deadline e padrões de qualidade. Não fará mais sentido separar os alunos por séries de acordo com a idade. É assim nas escolas Hightechhigh, em San Diego, na Califórnia, onde não existem livros didáticos, o professor é visto como um designer de conhecimento e os alunos se organizam por afinidade, e não por idade, para solucionar desafios retirados do dia a dia. Desde programar softwares simples a calcular os custos de construir uma casa sustentável, os jovens indicam três colegas com quem gostariam de trabalhar, e três com os quais teriam dificuldades. Um tutor sugere a formação do grupo, que combine pessoas que têm afinidades com aquelas que não se dão bem, como acontece na vida profissional.
O Colégio Estadual José Leite Lopes, no Rio de Janeiro, sedia um projeto-piloto chamado Núcleo Avançado em Educação (Nave) no qual 435 estudantes de ensino médio são agrupados em times de quatro a seis jovens, que desenvolvem projetos sob orientação de um educador. As aulas expositivas também existem. Quando percebem que um conceito de química, por exemplo, não está sendo compreendido por conta de uma noção complicada que vem da matemática, os dois professores atuam juntos. Está dando certo. Em seis anos de projeto, em cinco deles o colégio foi o primeiro mais bem colocado no ranking das escolas estaduais cariocas no Enem.
DE NOVATO A EXPERT
“Nenhuma ferramenta deveria ser usada para ensinar tudo a todos. O livro pedagógico é a pior invenção educativa da história, porque tem a pretensão de ensinar tudo, do mesmo jeito, para todos”, diz o psiconeurologista norte-americano James Paul Gee, professor da Universidade Estadual do Arizona. Para ele, o livro está ultrapassado e já está sendo substituído por uma gama de ferramentas, incluindo games. “Os jogos são excelentes para ensinar matemática, química e biologia, especialmente para os alunos que têm um perfil competitivo”, afirma. Em Nova York, a Quest toLearn, uma escola da rede pública, baseia seu currículo na mecânica de funcionamento dos games. Os alunos não recebem notas, mas começam em níveis básicos, chamados de “novato” e “aprendiz”, e avançam para “expert”. As provas finais são chamadas de “bosslevel”. Alguns deles são mais high tech, como o SimCityEdu, que desafia o aluno a projetar cidades sustentáveis. Outros são mais simples, como o jogo de tabuleiro Sistema Métrico, que ensina a converter unidades de medida.
Os jogos funcionam porque não são nada mais do que desafios acumulados em série, com graus crescentes de dificuldade. Nada tão diferente de aprender física na escola, afinal. Ao jogar, os estudantes são induzidos a pensar em estratégias, aprender com os erros e encarar desafios cada vez maiores. “Eles são mais úteis para resolver alguns tipos de problemas de absorção de conhecimento”, afirma Gee. Há diversos games e aplicativos já criados para esse fim: o Foldit, por exemplo, ajuda no aprendizado de química, mais especificamente na formação de proteínas — o aluno precisa fazer os encaixes corretos, segundo as leis da química, para passar de fase. Já o FantasyGeopolitics, criado por um professor de Minnesota, usa como base o jogo Fantasy Football para ensinar a história dos principais países do mundo. Assim como no jogo oficial, os alunos elaboram fichas dos países e fazem comparações entre eles, como se todas as nações participassem de um campeonato. Mais do que induzir os alunos a uma nova forma de buscar conhecimento, com os exercícios acontecendo em grande parte no ambiente virtual, vai ser possível saber quanto tempo cada estudante demorou para responder a cada questão, ou apreender cada conteúdo (leia mais no quadro da página 36). “As tecnologias oferecem condições concretas para que o professor deixe de ser o centro do processo, para que o ensino efetivamente tome esse papel”, diz a professora Alda Luiza Carlini.
PRÓXIMA FASE: Na Escola Municipal André Urani, na Rocinha,alunos aprendem por meio de plataformas de games. Quando acertam a resposta passam de fase e enfrentam questões mais complexas (Foto: Márcia Foletto/ Agência O Globo)PRÓXIMA FASE: NA ESCOLA MUNICIPAL ANDRÉ URANI, NA ROCINHA,ALUNOS APRENDEM POR MEIO DE PLATAFORMAS DE GAMES. QUANDO ACERTAM A RESPOSTA PASSAM DE FASE E ENFRENTAM QUESTÕES MAIS COMPLEXAS (FOTO: MÁRCIA FOLETTO/ AGÊNCIA O GLOBO)
APRENDIZADO FULL TIME
A plataforma digital também está mudando quando o conhecimento pode ser aprendido. Com a comunicação de nuvem, o ensino passa a ser full time. “Está clara a tendência de poder aprender a qualquer hora, em qualquer lugar, de múltiplas formas”, avalia José Moran, professor da USP e orientador de Projetos Educacionais Inovadores. Isso significa o fim da sala de aula? “A sala de aula é um ambiente importante de desenvolvimento humano e socialização”, responde o professor e assessor de e-learning Marcos Telles. “O que não quer dizer que ela vá manter sua forma física tradicional.”
Algumas instituições, como a Escola Municipal de Educação Fundamental M’Boi Mirim 3, recorrem a uma ferramenta online gratuita, disponibilizada pela Academia Khan — criada em 2011 pelo cientista da computação e matemático americano Salman Khan, que ficou conhecido mundialmente por videoaulas de reforço postadas no YouTube. “Queremos ampliar o acesso aos recursos interativos da plataforma”, afirma Jessica Yuen, secretária geral da Academia Khan, que em 2013 recebeu 600 mil visitantes únicos no Brasil mesmo sem ainda ter uma versão em português — que foi oficialmente inaugurada em janeiro deste ano. Acessível para alunos de todas as idades e mesmo professores ou profissionais que precisam revisar conceitos, a ferramenta online apresenta mais de 100 mil problemas de álgebra, aritmética e cálculo, além de outras disciplinas. O próprio site sugere exercícios cada vez mais complexos, na medida em que o aluno avança. As conquistas são registradas em um painel de controle, como acontece nos videogames.
EM GRUPO: No Núcleo Avançado em Educação (Nave), no Rio de Janeiro, os estudantes são agrupados em times de 4 a 6 alunos, tornando obsoleto o conceito de classe (Foto: Fabio Rossi/Agência O Globo)EM GRUPO: NO NÚCLEO AVANÇADO EM EDUCAÇÃO (NAVE), NO RIO DE JANEIRO, OS ESTUDANTES SÃO AGRUPADOS EM TIMES DE 4 A 6 ALUNOS, TORNANDO OBSOLETO O CONCEITO DE CLASSE (FOTO: FABIO ROSSI/AGÊNCIA O GLOBO)
Quando a educação acontece dessa forma, o jovem chega mais preparado para a vida. A partir da idade adulta, as duas coisas vão caminhar juntas: o profissional nunca vai deixar de estudar, em cursos e módulos específicos para demandas pontuais. Não será necessário concluir várias faculdades, mas fazer ao menos uma, e complementar com cursos pelo resto da vida. O cruzamento de atividades presenciais e estudos online vai se tornar tão grande que será difícil separar o ensino tradicional do estudo à distância — a Faculdade Anhanguera, por exemplo, criou um aplicativo para tablets e smartphones no qual seus alunos podem acessar o Centro de Educação à Distância, com videoaulas, exercícios e calendário de provas.
O ensino poderá ser ondemand, de acordo com o ritmo, as dificuldades e os interesses de cada aluno. Como já começa a acontecer no mundo todo, a educação tende a sair das salas de aula para ganhar multiplataformas. “No futuro, vamos ter uma série de opções para aprender, em diferentes meios e linguagens, de acordo com as características pessoais de cada aluno”, diz Sara Skvirsky, gerente de pesquisa do Institute for the Future, centro americano especializado em previsões a longo prazo. “Aprender vai voltar a ser o que já foi um dia para os seres humanos”, afirma o professor James Gee. “Um processo natural e totalmente integrado à nossa vida”.

HORÁRIOS LIVRES
O aluno vai escolher os temas que quer estudar e se quer fazer suas atividades sozinho ou em grupo. Até mesmo o momento de fazer provas e avaliações será definido por ele. Se preferir estudar durante a noite, ou alternando com um horário de almoço mais longo, de acordo com seu metabolismo, terá autonomia.
NA PRÁTICA: A Escola da Ponte, em Portugal, não dá nome a disciplinas de conhecimento nem estabelece horário para começar ou terminar cada atividade. A iniciativa inspirou o Projeto Âncora, em São Paulo.
 (Foto: Samuel Rodrigues)(FOTO: SAMUEL RODRIGUES)
GAMES PARA PASSAR DE ANO
Os alunos começam a jogar videogame para recapitular conhecimentos ou aprender novos conceitos. As notas podem ser dadas de acordo com o número de acertos e com a agilidade em resolver problemas.
NA PRÁTICA: Na escola norte-americana Minddrive, os alunos criaram uma escola sustentável usando o ambiente do jogo Minecraft como base. Na Escola Municipal André Urani, no Rio de Janeiro, quem acerta a resposta passa de fase e recebe problemas mais complexos.
 (Foto: Samuel Rodrigues)(FOTO: SAMUEL RODRIGUES)
PAIS PARTICIPANTES
Em novos modelos de educação, os pais são considerados parceiros, que ajudam a acompanhar o desempenho dos alunos, dão palestras sobre suas áreas em suas escolas e tambémcolaboram na gestão física da instituição, da contabilidade à manutenção da parte elétrica.
NA PRÁTICA: Na Escola Municipal Desembargador Amorim Lima e no CIEJA Campo Limpo, ambas na cidade de São Paulo, os pais são considerados cogestores da escola.
CURSOS DE MÍDIAS DIGITAIS
Aprender a programar computadores não deverá mais ser tarefa para especialistas com formação universitária específica. Todo estudante vai precisar deste tipo de conhecimento, tanto quando deverá saber ler e escrever. Além de programação básica e design para internet, os jovens terão de aprender a usar diferentes mídias digitais, especialmente as redes sociais.
NA PRÁTICA:No Colégio Estadual José Leite Lopes, os alunos fazem cursos técnicos em Programação de Jogos Digitais, Multimídia e Roteiro para Mídias Digitais.
METODOLOGIA HYPERLINK
Os estudantes são estimulados a desenvolver projetos partindo de seus interesses pessoais. Como no sistema de hyperlink da web, eles vão descobrindo novos objetos de pesquisa e mudando os rumos dos estudos livremente. A história dos astecas pode levar o aluno a criar um comércio de chocolates artesanais, com renda para projetos sociais.
NA PRÁTICA: A estratégia de ensino faz parte da metodologia do projeto Riverside, na Índia, e também na escola Politeia, em São Paulo.
 (Foto: Samuel Rodrigues)(FOTO: SAMUEL RODRIGUES)
CURRÍCULO MUTANTE
As disciplinas começam aganhar definições menos rígidas do que as atuais. No lugar de História e Estudos Sociais, “Ser, Espaço e Lugar”. Para Ciências, “A Maneira Como as Coisas Funcionam”. Dependendo da turma, estes domínios podem ser adaptados.
NA PRÁTICA: No The InternationalYouthInitiativeProgram, da Suécia, o currículo muda ano a ano e as atividades podem incluir escrever a própria autobiografia ou transformar a estrutura da Organização Mundial do Comércio em um infográfico.
 (Foto: Samuel Rodrigues)(FOTO: SAMUEL RODRIGUES)
TRABALHO EM GRUPO
Alunos de diferentes idades, perfis de personalidade e graus de experiência reúnem-se para estudar juntos e compartilhar informações. O professor vai apenas orientar o grupo, que terá prazos e metas a cumprir para entregar seus projetos, como em uma grande empresa.
NA PRÁTICA: Nas escolas suecas do projeto Vittra, os estudantes usam notebooks de última geração e constroem avatares para si mesmos. E é com estes avatares que eles se reúnem em grupos virtuais, de composição variável.

TENDÊNCIAS

 
NA NUVEM
Celulares, tablets e outros dispositivos vão permitir o ensino em qualquer lugar
A comunicação em nuvem transforma a absorção de conhecimento em um hábito constante. Com celulares, notebooks, tablets, televisões e paredes holográficas, entre outras ferramentas que ainda deverão surgir, é possível aprender não só na escola, mas também em casa, no percurso de um lugar para outro, em um shopping ou mesmo em uma praça: o estudante começa uma tarefa em sala, mas pode finalizá-la depois, onde estiver. Alunos e professores interagindo de diferentes locais do mundo, trocando experiências, vão então colocar em prática o que o professor de Tecnologia Educacional da Universidade Newcastle, Sugata Mitra, chama de Ambientes de Aprendizado Auto-Organizáveis (AAAO). “Na Escola na Nuvem o professor coloca o processo em movimento, se afasta maravilhado e observa o aprendizado acontecer”, afirma.
BIG DATA
Dados vão permitir acompanhar o desempenho dos alunos em tempo real
Quando o aprendizado se dá online e a avaliação acontece em etapas em uma plataforma digital, o professor sabe exatamente quanto tempo o aluno demorou para aprender cada conteúdo. Isso gera uma enxurrada de dados sobre o aprendizado que, devidamente processados, vão permitir aos tutores personalizar o ensino em um nível nunca antes alcançado. “O professor vai ser capaz de identificar precisamente os pontos de dúvida. E também selecionar aqueles itens em que o estudante se saiu tão bem que ele pode ser capaz de ensiná-lo a um colega”, afirma o arquiteto Steve Rees, CEO da Minddrive. Além disso, em diversas áreas, como a astronomia, por exemplo, o conteúdo dos livros didáticos tradicionais envelhece rápido demais. Será possível atualizar just in time o conteúdo de livros e computadores.
ROBÓTICA
A inteligência artificial ajuda a entender conceitos de física e matemática
Os robôs logo devem estar disseminados em todos os ambientes, inclusive os escolares. O convívio com essas máquinas poderá aprimorar o ensino e será bastante benéfico para os alunos. “Enquanto os supercomputadores percorrem bilhões de parâmetros possíveis, os humanos usam sua habilidade nata de reconhecimento de padrões. São características complementares”, afirma o professor James Paul Gee. Com a inteligência artificial disseminada, passa a ser necessário memorizar fatos ou números — é preciso apenas saber onde encontrá-los. Nas máquinas e no ambiente virtual vai estar a memória coletiva, que todos poderão acessar. “Se o Google já muda a forma de organizar o acervo de dados da humanidade, imagine quando um robô estiver preparado para ensinar conceitos básicos de física e matemática”, diz.
ENTREVISTA
“O SABER TRADICIONAL FICOU RIDÍCULO”
* O currículo das escolas está defasado?
O conhecimento que toda pessoa deve saber, desde as obras dos grandes filósofos até noções básicas de física e história, tudo isso está colocado em xeque. A informação está envelhecendo tão rapidamente, e a capacidade de armazenar dados está aumentando tão rápido, que o saber tradicional ficou um tanto ridículo.
* O que as escolas devem ensinar?
O aluno não pode mais ser visto como um silo onde o professor estoca informações para uso eventual no futuro. Mais importante do que memorizar dados é a habilidade de identificar problemas e saber onde encontrar a informação necessária para solucioná-lo — diferentemente do que os jovens pensam, a resposta não está na primeira página de busca do Google. Depois de encontrar as evidências, é preciso avaliá-las, para filtrar as bobagens e as referências defasadas. Por fim, é preciso saber relatar com clareza, de forma escrita, oral ou mesmo por vídeo, as conclusões a que se chegou.
* As salas de aula vão acabar?
Não. Teremos diferentes modelos de educação, que vão respeitar o perfil do aluno, o seu metabolismo. Teremos escolas presenciais, escolas virtuais, escolas com horários alternativos, para os estudantes que rendem mais estudando de madrugada, por exemplo. A educação vai caminhar para ser personalizada e mais de acordo com as individualidades tão próprias da condição humana.
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